<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337</id><updated>2012-01-14T05:35:59.074-08:00</updated><category term='motor'/><category term='gRRR'/><title type='text'>isto não é cá lobo antunes</title><subtitle type='html'>estás deprimido ou definido?</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jorge Oppenheim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600323244312261667</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/-RLnAY-T8-wQ/TZUrlA-P3NI/AAAAAAAABEo/5fJ7IetI6Ck/s220/vader-fail.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-5187516274805511357</id><published>2012-01-14T05:35:00.000-08:00</published><updated>2012-01-14T05:35:59.082-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gRRR'/><title type='text'>Congratulations! you have passed level one</title><content type='html'>&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;Acordo com aquela sensação de já não haver nada mais para dormir, e ainda assim&amp;nbsp;muita vontade de continuar a brincar com a frescura do lençol, a enrolar-se nos pés, a deslizar nas mãos. Sentir o corpo a afundar-se no corpo, libertar-se em micro sonos, para voltar a acordar e de novo afundar – até se cansar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;Domingo, eu sei-o. Sem calendário, sem aviso, sem lembrança. Basta ouvir a minha mãe, já na cozinha a lutar contra vapores de panelas, legumes a cortar para a sopa – esse sabor que nunca consegui reproduzir depois de tantas cópias falhadas que se seguiriam num futuro distante. O som indistinto, subaquático, da telefonia em amplitude modulada, a trazer músicas do fundo do último naco de transistor, a embalar o vai e vem da faca nas batatas, e ela a cantarolar por cima naquele mmm aveludado que só uma mãe a sério sabe fazer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;Pela janela entram farrapos ordeiros de luz, envoltos em nadas de dez da matina. Luz própria de um verão preguiçoso por começar, filtrada pelas folhas dos limoeiros do quintal da vizinha Adelaide, árvores embaladas num sono de brisa mole.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;Existe um falso silêncio, de passarada a ressacar, piando aleatoriamente em contraponto com uma ou outra coisa que lá fora acontece: uma ladainha de mundo à espera de acordar, enrolado nessa luz preguiçosa. Por isso eu sei, é Domingo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;É dia de desenhos animados em pijama, olhos em cima da televisão, muito perto para não escapar nada, bulha de telecomando com a irmã, apesar de querermos mais ou menos o mesmo. Não pense ela que por ser&amp;nbsp;mais velha por dois anos que tem muito mais a dizer sobre o que ver ou não. Que se perceba que o programa matinal de Domingo está previamente definido desde a origem dos tempos, quando os telecomandos ainda não existiam, quando a cor televisiva era uma vasta paleta do cinzento muito escuro ao cinzento muito claro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;Os desenhos animados, sempre precedidos de pequeno almoço digno da recepção ao embaixador de mais-que-além. Um mimo que sempre me fez falta desde então, coisa que só voltaria a sentir ao de leve quando pernoitava em hotel caro, mas sem o calor que só as coisas feitas com carinho têm. Fatias douradas, acabadas de fazer enchiam a cozinha de um cheiro mágico, acompanhadas de leite com chocolate, bem quente, independentemente da temperatura do ar. Fatias douradas são aquele fio de Ariadne que liga essas manhãs às outras menores manhãs em que como um simulacro muito mal amanhado de fatias na pastelaria. Invariavelmente acabava sempre por acontecer a fuga de uma ou duas fatias para a sala, a fazer-nos companhia no televisionamento das aventuras de leões que falam, unicórnios que voam, e outros seres muito coloridos, muito&amp;nbsp;impossíveis, mas&amp;nbsp;totalmente&amp;nbsp;necessários. Fico sempre com a sensação de que poderia ficar mais duas, dez, vinte horas a ver bonecos a explodir, tartarugas a lutar com bandidos, coelhos a detonarem lobos, patos milionários e o mais que houvesse.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&amp;nbsp;Mais ou menos pela altura em que o cheiro da comida começa a invadir as divisões da casa, cavalo de tróia pronto a trair os estômagos em dieta, aroma embrulhado em luz forte de meio-dia, chega o meu pai. Homem robusto, de pouca conversa mas de sorriso largo. Larga sempre as chaves um pouco à bruta na base da fruteira, um daqueles aparatos de loiça que serve para largar tudo menos fruta: isqueiros, chaves, contas da luz, contas da água, pilhas, postais… e todas as outras coisas que se largam, que não têm bem um sítio próprio, mas que convém estarem sempre à mão, mesmo que depois sejam eternamente esquecidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;O pai Valério tem sempre uma brincadeira pra &amp;nbsp;nós, coisa de macho carinhoso: um calduço, uma rasteirita, uma valente carga de cócegas… deve ser como aquelas coisas que se vê nos programas sobre chimpanzés, a seguir aos desenhos animados, reforço de laços familiares… mas sabe bem. Entra na cozinha, com a sua voz ressonante, como se fosse uma linha de baixo de música soul, e troca algumas palavras com a minha mãe. Sempre tiveram uma relação que irei invejar daqui a alguns anos, e por muitos anos. Pouca conversa, muito eficaz, brincadeiras pequenas, muito físicas, beliscões, apalpões, risota miúda, entendimento total.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&amp;nbsp;Quando o meu pai entra em casa, entra com ele um cheiro a ervas aromáticas, como se fosse o tempero final do cheiro dos cozinhados da minha mãe. Um cheiro a coisa que veio e voltará para a Natureza, que aliás nunca se separou verdadeiramente dela e que me custará tanto devolver a Ela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;O almoço de peixe assado não é só peixe assado. É risota sobre a espinha que fica pendurada no bigode do pai, &amp;nbsp;não esquecer de não pôr os cotovelos na mesa, discussões acesas sobre se quando a hora adiantar irá roubar horas ao sono, apesar de todos os anos a contabilidade ser igual, &amp;nbsp;grandes talhadas de melancia comidas com pressa tal que geram pequenas batalhas na laringe. O rádio continua lá no fundo a cantarolar qualquer coisa indistinta e nebulosa a acompanhar o estalar das últimas brasas de carvão na grelha. E há vinho, e há azeite e pão, e azeitonas… e tudo isto é um domingo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;Levanta-se a loiça e quase que se ajuda a mãe, sempre de olho na escapatória para mais umas horas de brincadeira, aproveitar bem que amanhã há escola outra vez.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: Palatino, Georgia, Baskerville, serif; font-size: 14px; line-height: 18px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;Fui à casa de banho e reparei pela primeira, mas não seria a última, uma mancha vermelha, deslavada, pequena, nas cuecas.&amp;nbsp;Nesse dia ainda não o sabia, mas hoje carrego dentro das entranhas a prova que tinha ultrapassado o primeiro nível desse jogo inglório que é viver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-5187516274805511357?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/5187516274805511357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2012/01/congratulations-you-have-passed-level.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/5187516274805511357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/5187516274805511357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2012/01/congratulations-you-have-passed-level.html' title='Congratulations! you have passed level one'/><author><name>gRRR</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11859441773831403278</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_cx0CPa8AC1k/TEC5-5JJApI/AAAAAAAAAGs/ZNAwZIDmo5c/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-5701105041765144113</id><published>2011-12-25T17:56:00.001-08:00</published><updated>2012-01-14T05:34:40.194-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='motor'/><title type='text'>Angústia Matinal</title><content type='html'>&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5Cuser%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5Cuser%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5Cuser%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face {font-family:"Cambria Math"; panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:roman; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;}@font-face {font-family:Calibri; panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}@font-face {font-family:Garamond; panose-1:2 2 4 4 3 3 1 1 8 3; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:roman; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:647 0 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-unhide:no; mso-style-qformat:yes; mso-style-parent:""; margin-top:0cm; margin-right:0cm; margin-bottom:10.0pt; margin-left:0cm; line-height:115%; mso-pagination:widow-orphan; font-size:11.0pt; font-family:"Calibri","sans-serif"; mso-fareast-font-family:Calibri; mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-language:EN-US;}.MsoChpDefault {mso-style-type:export-only; mso-default-props:yes; font-size:10.0pt; mso-ansi-font-size:10.0pt; mso-bidi-font-size:10.0pt; mso-ascii-font-family:Calibri; mso-fareast-font-family:Calibri; mso-hansi-font-family:Calibri;}@page WordSection1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;}div.WordSection1 {page:WordSection1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=8099925819022722337&amp;amp;postID=5701105041765144113" name="OLE_LINK5"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=8099925819022722337&amp;amp;postID=5701105041765144113" name="OLE_LINK4"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=8099925819022722337&amp;amp;postID=5701105041765144113" name="OLE_LINK3"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; font-variant: small-caps;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; font-variant: small-caps;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; font-variant: small-caps;"&gt;I&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Deixei-a, friamente, junto a um táxi perto da estação de metro dos Anjos. Praticamente nem esperei ou acenei e voltei costas quase sem me despedir, traindo o sorriso sincero que os seus olhos revelavam no fugidio vidro traseiro. Fui andando semicurvado, movendo-me sem sentimentos e perdi, por momentos, o senso; dei por mim a enfiar-me por uma ruela por onde nunca tinha passado. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Entretanto, quase sem me aperceber, começou a chover lentamente. Uma chuva miúda, mas compacta, amanhada numa acidez melancólica. Seguia para casa, arrastava-me ― impelido pelos &lt;i&gt;all star&lt;/i&gt; gastos e quase rasgados pelas noites sujas que me consumiam ― transtornado, enquanto todo eu começava a ficar engelhadamente molhado. A água da chuva e as lágrimas, ambas tristes, pingavam-me a cara à vez, sem pedir permissão. O casaco apertado à cintura, agora encharcado, vertia gotas por uma das suas oblíquas pontas daquele misto ou mosto de lágrimas/água da chuva. Pesava imenso. Presumivelmente foi uma qualquer reacção provocada pela amargura acídica do sal que compõe as minhas lágrimas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Continuei a subir a rua de forma metódica, cruzando-me com os suspiros de umas árvores perdidas pelo passeio e agitadas por uma falsa brisa, aos encontrões com o acaso. Sempre tive uma relação especial com o acaso ― &lt;i&gt;aberta&lt;/i&gt;, como agora se diz ― que ora aparece, ora desaparece, e sempre me trata como uma das putas velhas que, muito provavelmente, se estariam a vender por cinquenta euros, ou pouco mais, numa qualquer rua próxima do sítio por onde vagueava (umas para comer, outras para o garrote, outras porque, agora, nada mais sabiam fazer). &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Não conseguia ouvir e a realidade aparecia e desaparecia em &lt;i&gt;flashes&lt;/i&gt;. Era como se o &lt;i&gt;Muhammad Ali&lt;/i&gt; me tivesse esmurrado os ouvidos até ao coma auditivo e o cérebro amolgado tivesse dificuldade em ver por entre os olhos inchados e negros. Tinha os &lt;i&gt;headphones&lt;/i&gt; enterrados violentamente violentando-me as orelhas em troca de uns sons. Ouvia qualquer coisa triste à qual nem sequer prestava atenção... &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;“&lt;i&gt;That there, that's not me&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;I go where I please&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;I walk through walls&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;I float down the Liffey&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;I'm not here&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;This isn't happening&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;I'm not here, I'm not here&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;”&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;...os ténis, sujos e ainda mais gastos, embicavam nas dramaturgias soltas de uma calçada estruturalmente maliciosa e irritante que me enfrentava inclinadamente, aquelas que atribuía à minha vida. Os olhos, estranhamente abertos e inertes, transpareciam uma qualquer loucura bebida, ainda não diagnosticada, mas prognosível a médio prazo. A chuva não parava, por muito que me irritasse, e a música que me entoava o cérebro anunciava a perdição que vinha conseguindo esconder ― “&lt;i&gt;Strobe lights and blown speakers, Fireworks and hurricanes&lt;/i&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Parei por momentos e olhei para cima, encarando de frente a chuva, que me dificultava a visão, e o escuro tépido que mascarava a noite. De certa forma, num agnosticismo desconfiado, perguntei algo a quem quer que me estivesse a observar ― ninguém respondeu.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Intimado a andar, o meu corpo resistiu mesmo sob pena de uma possível sanção compulsória ― encontrando-se a minha mente preparada já para a aplicar e cobrar ―, como se pesasse o mesmo que o próprio planeta. Inexistia neste preciso momento. Deixei de saber quem era, apesar de lúcido. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;A chuva adensava-se e sentia-me a ser engolido por um oceano de mágoa e apatia; tentava submergir esbracejando, mas o corpo não respondia. Ofegava de tal forma ― a laringe contorcia-se e não conseguia respirar ― que tive de me encostar à parede de um edifício devoluto de dois andares que parecia ter ganho vida. Os &lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=8099925819022722337&amp;amp;postID=5701105041765144113" name="13465c4db09275e7_13461cf647083a8a_OLE_LI"&gt;&lt;/a&gt;grafitis coloridos e gigantescos que o ocupavam começaram a soltar-se angustiosamente e pareciam querer agarrar-me. Perdi-me por ali, no meio das luzes dos candeeiros que dançavam sob a minha ansiedade. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Subitamente, e após acordar, uma jocosa e terna ironia apossou-se dos meus olhos e fez-me sorrir. Não me lembrava ao certo do que se tinha passado, nem de ter chegado a casa, mas estava ainda mais encharcado. Era raiva encapotada. Saí do corpo que me encurtava os passos e, enquanto flutuava como um balão de ar quente, observei-me do alto do quarto. Desapareci rapidamente, como se o balão tivesse perdido o nó e se esvaziasse e apitasse desenfreadamente, e não me procurei. Ninguém me procurou. Adormeci outra vez.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;II&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Eram cerca de 8h20 quando o despertador tocou e eu o esmurrei com a mão direita fechada como fazia todas as manhãs. Era uma daquelas relações violentas que pareciam estar munidas de uma dureza de titânio. Com um pontapé afastei as mantas e obriguei-me a sair da cama. A dor que me atravessava o corpo misturava-se com a vermelhidão anémica que me tomava os olhos. Abri parcialmente a persiana por onde perpassaram quatro ou cinco ruidosos raios de luz. Peguei no telemóvel e reparei na mensagem que piscava no visor ― “Adorei a noite! Dorme bem.” ―, o que adensou a nuvem de culpa e autocomiseração que me engolia.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Calcei os chinelos com alguma dificuldade, peguei numas cuecas de um cinzento gasto e numa toalha creme e arrastei-me até à casa de banho. O chão estava frio, o que percebi nos momentos antes de entrar na banheira e enquanto mijava para a bocejante boca da sanita. Perdi algum tempo a conseguir controlar a temperatura da água até à que consigo suportar, o que me irritou parcialmente. Encostei-me por minutos à parede e reguei-me em silêncio enquanto ouvia o som da água a correr, e ia inspirando e expirando com dificuldade o vapor que poluía o espaço; passaram-se cerca de trinta minutos num curto espaço de tempo em que milhões de pensamentos me iam atropelando: o que se tinha passado comigo a noite passada; tudo aquilo que tinha para acabar até ao final do dia; porque razão não conseguia nutrir verdadeiros sentimentos por ninguém; de onde provinha o desinteresse e desapontamento apocalípticos que tinha por tudo o que fazia...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Escolhi um fato escuro, algo amarrotado, uma camisa branca e uma gravata azul, e voltei à casa de banho para poder ajeitar o nó da gravata e colocar alguma cera de forma a levantar um pouco o cabelo. Saí apressadamente de casa num passo largo, com o &lt;i&gt;Beginners&lt;/i&gt; do &lt;i&gt;Raymond Carver&lt;/i&gt; debaixo do braço esquerdo. O brilho instável do sol matinal irritava-me os olhos, que seguiam cabisbaixos e indiferentes. Parei no café onde parava todas as manhãs,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;― “Senhor António, é uma bica, se faz favor”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;― “Bom dia Doutor, então como vai isso?”, perguntou enquanto batia na máquina do café de forma estrondosa com a peça em que se coloca e aperta o café.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;― “Vai-se andando; mais um dia de trabalho…”, respondi com alguma deferência, enquanto lia um pouco ao balcão.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;― “Ó Doutor, está cá com umas olheiras, não dormiu?”&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;― “Cá para mim foi para os copos…”, afirmou satiricamente enquanto poisava habilidosamente a chávena de café ― que encheu até meio de forma minuciosa, como fazia todos os dias ― no balcão ainda brilhante, mas agastado com a crise do país que agora ecoava do jornal da manhã e que queria saltar da minúscula televisão erguida no alto do estabelecimento.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Bebi o café num trago e bochechei um pouco para sentir melhor o gosto do café a infiltrar-se pelas papilas gustativas. Bebi um copo de água ao mesmo tempo que me inclinava ligeiramente para trás, talvez para a água vazar melhor até ao estômago, por entre o olhar agora algo preocupado do Senhor António,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;― “Não passei muito bem a noite, mas agora já estou melhor”, respondi-lhe finalmente.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Saí e segui numa passada galopante até à estação de metro dos Anjos, que fedia como todas as manhãs. Aquela sordidez congénita, mijo e ratos esfomeados, era-me familiar, fazia parte do meu dia a dia e, muito provavelmente, sentiria a sua falta caso tivesse de me divorciar daquela rotina diária. Sentei-me e esperei alguns minutos pelo metro, ao mesmo tempo que ia reconhecendo as caras incógnitas que todos os dias se sentavam perto de mim, com o mesmo contrariado semblante matinal ― pareciam todos ter ingerido os mesmos comprimidos de apatia. Perdia-me a olhar para os vultos, perguntando-me sobre o que estariam a pensar, sobre o que teriam feito na noite passada, o que teriam comido, quem teriam fodido, com quem teriam discutido, o que ajudava a passar o tempo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Saí do metro na estação da Baixa-Chiado e segui pela falida Rua do Ouro até ao início da Avenida da Liberdade, ao passo que me ia cruzando com pessoas avulsas que corriam irracionalmente para cima e para baixo, enfatadas e engravatadas ― os nós das gravatas estavam, em regra, tão apertados que os executivos, perante um convite para o autoenforcamento, pareciam ter aceite tão honrosa invitação ―, qual manada de gnus a fugir do predador numa realidade difusamente ingénua, e entrei num edifício de acabamentos dourados e portadas altas e amplas, como fazia todos os dias.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;― “Bom dia, Tiago”, cumprimentei o segurança.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;― “Bom dia, Doutor”, respondeu com os olhos hipnotizados pelo computador.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20pt; margin-bottom: 6pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Garamond&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Esperei pelo elevador na esperança de não encontrar nenhum colega com quem tivesse de trocar umas hipócritas palavras de circunstância ― “Então, muito trabalho”?; “Sim, estou cheio de trabalho, mas é melhor ter muito, que não ter, não é?! Ahaha”. Por sorte, não me cruzei com ninguém. Saí do elevador como uma sombra e dirigi-me para o meu lugar. Tirei o casaco e pendurei-o, e, logo de seguida, após ter ligado o ar condicionado, liguei o computador maquinalmente. Era inverno, mas o sol brilhava lá fora num pesar de agonia.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-5701105041765144113?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/5701105041765144113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2011/12/angustia-matinal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/5701105041765144113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/5701105041765144113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2011/12/angustia-matinal.html' title='Angústia Matinal'/><author><name>Jorge Oppenheim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600323244312261667</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/-RLnAY-T8-wQ/TZUrlA-P3NI/AAAAAAAABEo/5fJ7IetI6Ck/s220/vader-fail.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-5434241545437338666</id><published>2011-04-06T01:00:00.000-07:00</published><updated>2011-04-05T17:22:45.956-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gRRR'/><title type='text'>21h30</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Sendo onde desperdiço tanto tempo, o tempo aqui até que me parece mais lento. É mais viscoso e desenrola-se num murmúrio. Uma ressonância mole que exala das paredes, movida pelo gerador da iluminação baixa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Não venho aqui pelo chá, nem pelo café, que tenho em casa. Não venho pelo cigarro que fumo numa lentidão de princípio de tempos. O pouco que por vezes aqui petisco também não é culinária que tirasse alguém de casa com a chuva fina e nova que cai, a empurrar os casais para o sofá e a prender os gatos em beirados de janelas. Não é pela companhia de conversa que não apareceu. Não é pela música de fundo, que está tão no fundo que nem se lhe vê o brilho, apenas roça a medo no cone das colunas, um crispar débil de qualquer coisa sonora. Em suma não venho aqui pelo que aqui poderia haver, porque tudo o que aqui há posso tê-lo ou construí-lo noutro lado, talvez até com uma forma mais própria, um casaco de alfaiate e não esta calça de pronto-a-vestir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Venho aqui porque aqui construo uma nova solidão. Uma solidão com brilho de colheres de café a reflectirem uma luz amarela e densa que banha tudo num nevoeiro de preguiça triunfal. Uma solidão que namora o barulho quase marítimo das conversas intercaladas pelo gelo a rodar nos copos, da máquina  a registar mais uma sandes de carne assada, porque aqui não se pode pedir comida complicada.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Venho aqui porque trago esta solidão a passear, é o meu cão que precisa de cheirar tudo o que cheirou ontem outra vez, mas sempre com um abanar de cauda frenético como se este fosse o dia da criação de todos os cheiros, um génesis olfactivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Venho aqui porque me perco entre o imiscuir-me nas conversas de um casal soturno e o tilintar da colher a mexer o café, tudo interrompido pelo vapor da máquina a aquecer um cappucino muito falsificado, quase meia de leite. E porque este queimar de minutos a ler um jornal qualquer, mesmo que da semana passada, me banha a alma de uma qualquer coisa domingueira e aprazível. É um sol portátil reanimado por pilhas de dormência, lento mas quente e que me faz sentir pequeno e protegido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Não venho aqui por estar à espera de companhia, porque essa não vai aparecer. Sento-me nestas cadeiras porque é um sítio em que a solidão me faz companhia. Porque tenho todo um espectáculo de cor e luz, que me dá aquele ultimo aconchego antes de ir pôr o corpo a dormir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Sento-me com urgência, porque todo o tempo é pouco, quando o quero ver bem desperdiçado. E tenho vindo a apurar essa preguiça, com maneirismos e rituais próprios duma nova religião, libertadora e sonâmbula. Primeiro sento o corpo na mesa em que me pareça  existir a cadeira que me vai prender por mais tempo. Tiro cachecol e casaco, e lambuzo os olhos pela sala, mirando pontos infinitos mas sorvendo todos os personagens e mobiliários. O décor é conhecido, os actores também são sempre muito familiares, e isso é reconfortante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Venho aqui porque venero este templo de inutilidade, onde posso simplesmente largar-me a não fazer nada.  E não é fácil, acreditem. A arte do apenas não-fazer é coisa muito difícil para o comum dos mortais, e nem sempre é atingível. Requer manhas de animal doméstico, requer treino de atleta, meditação de budista, ausente num nirvana de estar entretido só com o cintilar do fumo do tabaco na luz difusa dos candeeiros demodé do café.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O pedido é feito ao empregado com requintes de novidade, uma coisa que preciso mesmo, agora, impreterível, desejo de grávida. Mas tanto eu como  ele sabemos que não passa do mesmo café que pedi ontem e antes de ontem, e por aí fora. Um ciclo que se repete num ritual nocturno, religião pagã de deus líquido. É sempre o mesmo café, o mesmo copo de água e o mesmo cinzeiro. Ele, tal como eu ao pedir, ouve o pedido com uma delicadeza de primeira vez – acho que percebe o ritual e desconfio que lhe apraz fazer parte dele. Ele sente que encarna o cálice da eucaristia, mas com avental preto e camisa branca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Espero sempre que o café arrefeça um pouco, nem tanto pelo calor do líquido mas para poder apreciar o vapor perfumado que emana da chávena. É um complemento gratuito que não dispenso, um luxo de pormenor que completa toda esta dança de tiques. Não preciso de açúcar no expresso, aliás quase que não ponho nenhum, mas acabo sempre por abanar o pacote até empurrar os minúsculos cristais para o fundo do rectângulo de papel e abro a goela do invólucro até meio caminho. Despejo uma quantidade insignificante de sacarose na chávena e prontamente puxo da colher, minúscula e cintilante, que enfio nessa seiva castanha que anima o mundo. Mexo, remexo, canso o líquido com o remoinho até eu próprio me fartar. Só agora é que o posso beber. Só agora é que o café está pronto a entrar neste corpo empreguiçado. E bebo-o. Bebo-o devagar mas com afinco, num saborear lento e calculado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Qualquer apreciador de café sabe que o sabor muda conforme a geografia do tempo e do espaço. Este café não tem o mesmo sabor daquele que tomo meio à pressa no quiosque perto do trabalho. Esse sim, com uma função específica e absolutamente necessária: animar o tecido adiposo, nervoso, muscular, esquelético, para mais uma estafeta. E esse não me vai chegar. Sou muito amigo da cafeína. Ela compreende-me, e eu bebo-a com gosto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O café da manhã, arrancado a custo das goelas metálicas duma máquina que não é relíquia de museu por questões meramente empresariais, sabe-me a cidade que acorda e que boceja, e que responde devagar aos bons dias, num esforço hercúleo duma humanidade sonolenta. Tem aquele som de sino da escola, coisa que vai começar, sequência de abertura de talk-show televisivo, tiro de partida. E empurra, a mim e aos outros que se acotovelam á volta do quiosque, para essa corrida com meta que foge e que quando acaba já tem promessa de voltar amanhã – a menos que amanhã seja domingo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; Este que arrefece à minha frente tem o sabor de todo um mundo diferente. Sabe a preguiça, a jornal por ler, a discussão lenta e fácil sobre uma arte qualquer, a urbe que se quer manter acordada para apreciar o cintilar de candeeiros. Sabe a conversa mole, a tempo que é sempre pouco para ser desperdiçado com gosto. Tem som de jazz preguiçoso, tocado por pretos gordos e afáveis, de dedos imensos e cilíndricos, despreocupados com as ganâncias do mundo e as politicas dos políticos. Tem aura de rua estreita e sinuosa banhada por um só candeeiro de luz amarelada e movediça. Tem cor de coisa eternamente vaga mas sábia, de domingo tardio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Café bebido. Ensaio um ar de enfado em roda e puxo do cigarro. O último do maço – vou ter uma oportunidade de me fazer passear pelo espaço que une a minha mesa à máquina de venda automática: uma caixa metálica feia, colorida, desenquadrada do meio, encostada num canto pouco luminoso, para não atrapalhar o resto da encenação de conforto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Enquanto queimo o cilindro para dentro de mim, vou pensando em coisas miúdas: mercearia, comida, o dinheiro que ainda falta gastar, aquele par de ténis que ando a prometer a mim próprio comprar há um século de semanas, as mamas da vizinha, o vizinho do lado e a sua estereofonia de alta capacidade sonora, os anos do meu pai que se aproximam, a picadela de mosquito que me anda a coçar a orelha, o enigma resmungado que o  patrão soltou esta manhã, a sandes de atum que caiu mal e que parece ter decidido ficar mesmo pelo esófago e da lá não sair…  Mas sei que é uma maneira de fugir às outras coisas, aos outros pensamentos. O truque é manter as coisas miúdas acessas antes de chegar ao filtro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Neste templo de inutilidade não sou o único a orar a esse deus fumarento da inércia por vontade própria. Várias mesas enchem-se de solitários, casais, trios, quartetos,  e mais raramente até sextetos, de fumantes, amantes, amadores e voyeurs, amantes da realidade alheia, parasitas do nada – como eu. Sentam-se em grupos, e mesmo quando sozinhos fazem parelha com o movimento dessincronizado dos bailarinos que transportam cafés e águas com gás. Encetam conversas repetidas e imitam-se num ritual de confortável mímica social. E eu partilho com eles este éter viscoso de nadas somados – não é maravilhoso? Não é estrondoso o murmurar cúmplice de todos eles somado ao meu auscultar? Não somos nós uma família unida em torno daquela mosca que enamora sem pressa o vidro que protege os bolos? Acho que sim, acho que isto são fatias de uma felicidade amorfa e doce como um martini bebido a goles de pintainho enquanto se espera que o tempo desenrole.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;E quando estou quase a cair no limbo da hipnose, no nirvana do quase não estar nem aqui nem em lado nenhum, relembro-me que um outro café me espera: o da manhã. Um íman que nos puxa para a a outra rotina, a que me esforço por esquecer, por ser maior que esta, por ser obrigada e não escolhida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Bem… vou para casa. Amanhã &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;há mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-5434241545437338666?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/5434241545437338666/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2010/10/21h30.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/5434241545437338666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/5434241545437338666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2010/10/21h30.html' title='21h30'/><author><name>gRRR</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11859441773831403278</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_cx0CPa8AC1k/TEC5-5JJApI/AAAAAAAAAGs/ZNAwZIDmo5c/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-42605991389332066</id><published>2011-03-31T18:19:00.000-07:00</published><updated>2011-04-06T19:12:58.242-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='motor'/><title type='text'>O combate</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era notória a sua ânsia de chegar ao Lírio, de voltar a encharcar o estômago de cerveja, de álcool, por entre o fumo que o seguia entrelaçado pelas mãos trémulas e amareladas. Desceu as escadas apoiado na mão esquerda que percorreu o corrimão de um vermelho vazio e masturbatoriamente gasto, e atravessou a porta de vidro,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “António, uma imperial”, balbuciou ainda nervoso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O lugar junto ao balcão, adquirido por um etílico usucapião, figura esquecida pelos juristas, mas importantíssima nas tabernas, espumava já pelo seu odor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “O Jorginho já cá esteve?”, perguntou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Epá, o que é que queres Gastão, não vês que estou a trabalhar?!”, respondeu-lhe o António, num vociferar carrancudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Vá lá Banderas, não sejas assim, serve-me outra”, e iam deslizando pela garganta funda e sedenta, provinda da parte da sua mãe. O tempo media-se em imperiais, copos cheios e vazios, beatas empilhadas, cinza espalhada pela mesa e pelo chão, e fumo, tudo calibrado pelo olhar esgazeado da razão perdida algures pelo tempo passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Hoje tenho de festejar, Manel, acabei o segundo capítulo do meu terceiro romance”, disse ao Manel, que o olhava fixamente de sorriso avermelhado na cara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Então sai um beirão para os dois, Gastão”, disse o Manel, já de olhos brilhantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um sabor frio e viscoso escorregou-lhe goela abaixo, como se podia provar pelas veias salientes que naquele momento latejaram de felicidade. O cabelo, de um baço escuro, escondia a congénita tristeza de um miúdo cerceado de infância. Os traços gastos, destruídos, amparavam-lhe os olhos cavados de alma. Não destoava a roupa, uma camisa de um azul clarinho, especialmente clarinho do uso e lavagens excessivos, um blusão de cabedal perdido no tempo e escuro, sujo também, umas calças de ganga, levi’s, rotas em vários sítios, gastas, e uns sapatos de vela castanhos, abertos já.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Avançou num silêncio sóbrio para a porta de vidro e sacou de um maço de tabaco, Marlboro, puxando um cigarro e levando-o nervosamente na ponta dos dedos tremeluzentes até à boca. Depois, viu-se a calmaria do fumo a esvair-se por entre os lábios, por entre os dentes podres e pretos, por entre os pulmões,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Arranja aí um cigarro”, pediu-lhe o António aparecido do nada, assustando-o ligeiramente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Toma Banderas”, esticando o maço meio vazio e amarrotado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Traz-me aí outra imperial, António”, pediu-lhe já mais desenvoltamente, após três ou quatro copos que rapidamente se vazaram, perdendo-se no dourado corrente da imperial que ficou a borbulhar gelada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tempo passou, fez-se noite, eram já umas dez horas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Banderas, traz-me outra”, pediu mais uma vez e os pensamentos esparsos iam-lhe confundindo o discernimento,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Gosto do Sócrates, Manel, percebes?!”, afirmou após o tipo gritar em plena Assembleia da República – no telejornal da RTP 1 – que Portugal estava no bom caminho,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Ó Gastão e o teu aluno?”, perguntou o Manel mastigado por uma forte rubescência cutânea, enquanto o António se ria,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Não tens mão nele, pá”, atirou e entornou um copo de vinho tinto num lento segundo que lhe mascarou, por uns segundos, a vermelhidão em roxidão, se é que a palavra existe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dirigiram-se todos para a porta do café, distribuindo depois o Gastão cigarros pelos dois, enquanto o Manel cerrava os punhos e abanava-se desengonçadamente simulando um jab de esquerda,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Gastão, olha quem ‘tá a chegar…”, disse, por entre algum cuspo projectado inintencionalmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desci as escadas, abordado imediatamente pelo olhar vazio do Gastão,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Jorgiiiinho”, urrou tribalmente quase assobiando por entre os espaços dos dentes perdidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sorri e apertei a mão a todos enquanto entrávamos e já ao balcão pedi um café. Era quinta-feira e, num instinto pavloviano, fui até ao Lírio. Estava ao balcão e reparei numa tipa estranha e concentrada, já quarentona, que acabava de jantar por entre a confusão de guardanapos, azeite, vinho, talheres e pão. Comia mecanicamente e a sua face encapelada de tristeza e sedativos, provava os desgostos amorosos que a mataram. Agora, não passava de um fantasma que se ia arrastando pelo limbo e pelo Lírio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Então Gastão, já estás perdidíssimo?!”, afirmei num tom provocatório de reprovação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Já acabaste o segundo romance?”, perguntei-lhe jocosamente mas, ao mesmo tempo, sério.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Sim Jorge, vai ser publicado e tu, quando é que ‘abres o livro’?”, disse enquanto me olhava de soslaio e se movia para a frente e para trás de uma forma nervosa e autista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Quando é que perdes o medo?”, disse-me agora num tom mais à vontade de bêbado, sem medos, ainda que as mãos de Parkinson lhe fizessem os compridos copos de imperial planar, acabando entretanto mais uma tulipa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto o meu cotovelo esquerdo se apoiava no balcão transparente, que guardava os sólidos bolos do dia anterior, agarrei a colher com a ponta dos dedos e fui mexendo vagarosamente o café, perdendo-me pelo que tinha feito em mais um dia que acabava de passar e pelo que queria fazer na vida. Na verdade, aqueles “quando é que perdes o medo” afectavam-me e afectavam-me brutalmente, abalando sempre e sempre a vida que o passar dos dias ia procurando soldar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Pessoal, vou-me embora, amanhã trabalha-se…”, disse e dirigi-me para a porta,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Espera Jorge, espera”, disse o Gastão seguindo-me, quase tombando uma cadeira que se lhe atravessou à gravidade, por esta altura irremediavelmente reduzida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Não posso, Gastão, sabes como é, quem trabalha…”, disse para o picar,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Eh Jorge, também não era preciso descer tão baixo”, afirmou num tom meio rouco e comprometido,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Tens é de abrir o livro, de perder o medo”,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Não sejas cobarde, Jorge”, disse enquanto eu me ia afastando e desaparecia no negro da noite que reluzia nas árvores indolentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Não tens mão no teu aluno, Gastão”, disse-lhe o António a meio de um cigarro que lhe escondia o sorriso aberto a meio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltou algum silêncio por uns minutos, intervalados por repetitivos,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “António, tira-me mais uma imperial!”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A multiplicação dos copos ia pautando o tempo, estendendo e desmantelando-o em milhares de átomos mescalinos, que crepitavam no topo dos copos que lhe iam cortando a respiração e dilatando as pupilas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Vá Gastão, tenho de fechar, ‘tou farto de te aturar…”, retrucou o António enquanto praticamente o expulsava do café, já completamente gradeado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O táxi atravessou rapidamente a Avenida da República até à rotunda do Marquês de Pombal, por entre duas ou três palavras trocadas com o taxista que se mostrava algo desconfiado, talvez com medo que o Gastão lhe vomitasse a merda do mercedes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embrenhou-se no bairro que, embora não estivesse cheio, até nem estava mau, ainda que estivesse composto principalmente por miúdos bêbados e histéricos que iam ganindo e mijando e vomitando as ruas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao cruzar-se com um grupo de miúdas bem mais novas que ele, meteu-se com uma delas, morena, com o cabelo atado e preso por uns ganchos, que devia ter uns vinte anos. Era alta e tinha umas sandálias brilhantes, galou-lhe torcidamente o rabo e as mamas – movia-se despudoradamente nua e claramente sem o consentimento materno ou paterno –, e ouviu um,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Vai pró caralho, velho nojento”, num latido estridente, suportado pelo olhar altivo das amigas, meio betas acho, que lhes mascarava pimpinhamente as faces barrentas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que puta de miúda, queria-me, é claro que ela me queria, pensou…continuou e seguiu rua acima, até um bar qualquer onde costumava ir, nunca me lembro do nome, mas um bar onde costumam ir muitas gajas, principalmente as bifas, normalmente fáceis. O bar ficava na zona mais alta do bairro alto e a bebida era relativamente barata – as imperiais custavam um euro e os shots custavam um e meio – e a empregada pagava-lhe, de vez em quando, umas bebidas, provavelmente por piedade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentou-se a meio do balcão e pediu,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Uma imperial, se faz favor”, as palavras saíam já de uma forma arrastada, talvez pelo pesado hálito que as parecia agarrar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A solidão é incerta e é esmagadora, é verdade, mas fica sempre dependente da bebida que se ingere. Bebeu umas dez imperiais e dois shots de tequilla, de acordo com o que sei, e meteu conversa com uma espanhola que se sentou ao seu lado. Estava tão bêbeda quanto ele e ia balbuciando umas palavras a espaços, de onde conseguiu apenas perceber que era de Múrcia e estava a fazer erasmus em Portugal. Na altura, ficou com a ideia de que até era gira, média estatura, de um moreno altivo que lhe escorria pelos longos cabelos pretos, porém, no dia seguinte, ao relembrar a noite, apercebeu-se de que era um bocado gorda e não tão gira quanto lhe havia parecido, para além de estar excessivamente pintada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saíram já de mãos dadas, após uns beijos meio enxertados de tequilla, e foram descendo o bairro, a rua das flores, até – a noção temporal havia desaparecido nesta altura, era como se as horas tivessem sido comprimidas a martelo – a fila para o Jamaica estar já no final. Entraram facilmente, como se uma conspiração cósmica estivesse do seu lado – o escritor falhado – e o tempo fundiu-se com o som, com as cervejas e com os whiskies que iam saindo das mãos dos empregados do Jamaica. A mesma música de todas as noites tocava, corriam mãos por todos lados, a roupa encurtava à medida que o álcool descia, beijos e palavras vazias eram trocados, ouviam-se até urros e sentia-se, principalmente, felicidade e vazio. Ao voltar da casa de banho, onde havia conseguido chegar com dificuldade, a espanhola estava já com as mãos enterradas nas calças de outro tipo qualquer, carregado de gel na cabeça e vestido para engatar qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, no caso a espanhola afinal repulsiva e de beijo fácil e cuja propriedade se caracterizava por uma tremenda volatilidade alcoólica. As luzes intermitentes que os cobriam dançavam sob o corpo morto e pesado da espanhola, que se perdia na boca e nas mãos do tipo anónimo, que pela aparência gostaria, certamente, de ser um Cristiano Ronaldo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Restava, nesta altura, de um lado, uma felicidade falaciosa e, de outro, o travo da auto-comiseração conjunta de quem não conseguiu acabar a noite acompanhado, o que trespassava que nem punhais os corpos cabisbaixos. Andava à roda, as mãos estavam sujas e pegajosas da cerveja e do whisky que ia vertendo, até que perdeu completamente a noção do tempo e do espaço. As pessoas não passavam de um mosto de sombras que sorria e suava – devo referir novamente que ele estava extremamente feliz, como se tivesse conhecido a mulher de uma vida, a espanhola de uma noite, que afinal preferia sair do Jamaica até um quarto qualquer com o bronco do cinto de brilhantes da Dolce &amp;amp; Gabbana –, até que uns braços enormes o laçaram e pontapearam,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Vão pró caralho, palhaços”, gritou, após ter sido expulso sabe-se lá porquê, de uma forma quase imperceptível para os atrasados dos seguranças que iam sorrindo que nem hienas histéricas, mas sempre de olhar ameaçador, legitimado pelo poderzinho em que tinham sido investidos pelo dono de mais um barzinho do cais do sodré.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meteu-se num táxi, meio em andamento, e sem saber bem como um preto entrou também e pediu-lhe para dividirem o táxi,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Sócio, seguimos aqui na boa os dois, para onde vais?”, vozeou, numa ladainha cantada de moamba, o fifty cent das galinheiras. Disse-lhe que ia para a quinta do lambert e que não havia stress, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Meu, gosto de ti, és um gajo directo e sem merdas, fruto destes políticos”, disse-lhe perante o olhar de gozo do taxista que, ainda que estivesse com algum medo de que não lhe pagassem a viagem, ia-se divertindo com a amizade do casal de bêbados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O taxista deixou-os algures no campo grande, talvez os tenha expulsado, o gajo também tinha um ar de trolha filho-da-puta, e o Gastão convenceu o caracol – ao que parece este era mesmo o nome do tipo, já que se apresentava como o caracol da night – a ir até ao Lírio beber um copo antes de ir para casa. Deviam ser já umas sete da manhã de sexta e, pelo caminho, foram-se cruzando com imensa gente carrancuda, quase sonâmbula, que corria para os seus trabalhinhos, uns executivos, outros apenas de merda, até que entraram no Lírio,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Manel tira aí umas imperiais para mim e para o meu amigo”, pediu imponentemente, porque um gajo, especialmente quando está bêbado, tem de se impor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Ó Manel orienta aí as imperiais aqui pró caracol da night, o novo amigo do Gastão”, entoou o aprendiz de rapper.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tipo não tinha propriamente bom aspecto. Devia ter um metro e setenta e cinco, era magro, mas entroncado, tinha o cabelo rapado, ainda que com umas merdas desenhadas ao pormenor no lado esquerdo da nuca, tinha vários brincos de ouro e vestia-se como se viesse do Bronx, pelo menos era o que o gajo provavelmente pensava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Ó Gastão desculpa lá mas a esta hora não sirvo álcool a ninguém, tens de ir a outro sítio se quiseres”, afirmou o Manel claramente a mandá-los embora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguiram aos abraços, como se fossem os melhores amigos, perante o erguer do sol e da luz, até que o Gastão deu um leve soco no ombro do caracol, que levou a mal – o que é normal já que no bairro dele ninguém lhe toca e sai impune – e respondeu com um empurrão, devolvido imediatamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No seguimento de mais uns empurrões e de um ‘vai-te foder, meu grande filho da puta’, voou um gancho de direita que, planando pelo espaço, acertou em cheio na parte inferior da face esquerda do Gastão que foi imediatamente projectado, por entre algum cuspo e sangue, para o chão. O tipo correu e, já em cima do Gastão que respirava asperamente, soqueou-o por várias vezes ao mesmo tempo que se desembaraçava dos cotovelos que iam esperneando inconsequentemente e ouviram-se mais alguns esganiçados&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Filho da puta, parto-te todo”, de um toque de ódio sereno. Multiplicavam-se os enviesados esguichos de sangue escuro, que viriam a provar os hematomas que se ergueram horas depois, e que salpicavam os dois corpos entrelaçados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após o mitra ter fugido cobardemente, porque se a luta se tivesse prolongado certamente o tipo teria acabado coberto de porrada – palavras proferidas mais tarde pelo lutador vencido –, o Gastão levantou-se, com a cara toda amassada – o olho direito estava inchado e vermelho e o lábio inferior traçado a sangrar virginalmente –, e foi para casa, fazendo-se acompanhar pelo amanhecer e esmurrado pela solidão da brisa matinal que balançava os ramos das árvores inquietas, dormir e acordar mais uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-42605991389332066?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/42605991389332066/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2011/03/o-combate.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/42605991389332066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/42605991389332066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2011/03/o-combate.html' title='O combate'/><author><name>Jorge Oppenheim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600323244312261667</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/-RLnAY-T8-wQ/TZUrlA-P3NI/AAAAAAAABEo/5fJ7IetI6Ck/s220/vader-fail.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-6168215876642811034</id><published>2009-08-26T08:28:00.001-07:00</published><updated>2009-08-27T04:41:51.621-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='motor'/><title type='text'>Ninguém me sabia de volta</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Escondia-me pelas baixas divisões obscuras da velha casa onde me aprisionavam, numa profunda solidão subterrânea, cuja violência intrínseca me ia fundindo com o escuro. Ia vivendo pouco aos poucos, porque o tempo tinha-o perdido. A comida já não sabia a nada, era como se me tivessem arrancado a língua, o estômago era náusea o dia inteiro, vómitos de um vermelho barrento, escuro, o interior das coisas enojava-me. Nem sequer há música nesta história. Eles, em tempos meus pais, já nem nos olhos me olhavam, já nem sequer me olhavam, não passava de um fantasma que lhes infectava a realidade, como se já estivesse morto e enterrado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Deixei de falar, preferia não o fazer, até porque não tinha nada mais para dizer. Havia passado mais de quatro meses e esbatiam-se as diferenças entre a minha figura e um animal, não passava de um animal. Um animal doente de quem os humanos tinham medo e nojo, inexistindo quaisquer razões misteriosas para tal. Despojei-me de sentimentos e olhava simplesmente em redor. Grande parte do tempo ficava pelo quarto, encarcerado no indistinto, no medo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Um dia ouvi alguém chegar, a voz era-me familiar, mas tinha alguma dificuldade em perceber quem poderia ser, a realidade e o sonho entrecruzavam-se cada vez com mais facilidade na minha cabeça, corri para a divisão inferior, a dos animais, e calei-me, baixo, enquanto os passos e a voz que conhecia se moviam no tecto que me apertava o tórax e vergava a carne. Parece o João, pensei. Há mais de três anos que não o vejo, o meu primo, uma das três ou quatro pessoas que nunca me julgou por ser diferente e por almejar algo superior, que até me incentivou a procurar e tentar aquilo que os meus olhos viam a mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Despedia-me eu por entre a censura de quase todos, o meu irmão e o meu pai que nem sequer tinham vindo, e um abraço sentido dele e da Manuela, sua irmã, lágrimas e promessas de visitas, o comboio rumorejava e cuspia fumo num equilíbrio supremo que pintava o céu de preto, e eu partia para Paris, na busca de outros como eu, na busca do desconhecido, de sentir a arte, labirintos de júbilo, de me tornar escritor, o que quer que isso fosse. Não tinha grande coisa, apenas uns trinta contos de ilusões e amargura juvenil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A casa era velha e o chão, de madeira negra e cancerosa, gania a cada passo que dava. Não aguentei e corri para a casa de banho para limpar a cara numa daquelas toalhas encardidas e ásperas que me fodiam a pele. Saía eu da casa de banho e ouvi alguém descer as escadas a correr, não tendo sequer tempo de me esconder como me havia sido ordenado,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Miguel?! Disse o João de olhos abertíssimos como se tivesse visto um fantasma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Então primo, há tanto tempo, exclamei num tom sentido, embora tentasse desconversar sob o olhar colérico da minha mãe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Deixaste de escrever, nunca mais soubemos nada de ti, as últimas cartas foram devolvidas…replicou num tom desiludido e triste.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Pois, mudei de morada e entretanto perdi a vossa e como pensava voltar em breve a Portugal…e depois as reviravoltas com que não contamos e acabei por não escrever mais…retorqui nervosamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Mas estás cá há muito tempo? Perguntou-me pouco convencido daquilo que lhe dizia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Cheguei há uns dias, mas tenho estado ocupado com imensas coisas e ainda nem sequer tive oportunidade para estar convosco, mas queria visitá-los mal pudesse, desculpa-me a sério…disse-lhe de olhos humedecidos pela sinceridade, agora estragada, que sempre ostentei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Vá, vamos, o Miguel está cansado e depois logo põem a conversa em dia, afirmou a tia nervosa e irritadiça, puxando-me para cima, arrastando-me quase, e despachando-me num ápice…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A caminho de casa, numa concentração interior, fui pensando no quão estranho tinha sido aquele encontro, no quão intrigante foi a reacção da tia quando vi o Miguel, pensamentos que iam fluindo enquanto os meus olhos seguiam os pés que iam comendo ordeiramente o lancil gasto e profundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Entrei em casa, embora tenha tido alguma dificuldade em descobrir a lassa fechadura devido às mãos que me tremiam ainda. A minha irmã esperava por mim, li-lhe nos olhos projecções avulsas, ar de quem pensava que vinha bêbado pela dificuldade em abrir a porta e todo o barulho que fiz. Olhou-me desconfiada, e disse-lhe,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Não vais acreditar em quem encontrei! Não vais acreditar, afirmei tremeluzindo a voz, enquanto limpava o suor que me brotava essencialmente na testa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Quem? Perguntou-me denotando também já alguma inquietação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- O Miguel. O Miguel estava na casa da tia. Voltei a ficar nervoso e deixei cair as chaves que pareciam aranhas a querer fugir pelo chão nérveo e apanhei-as com alguma dificuldade. Por momentos a minha irmã calou-se, não conseguia perceber ao certo no que pensava,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Mas voltou quando? Como soubeste? Perguntou-me de olhos vidrados e turvos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Fui a casa da tia para saber quando é que ela queria que lhe pintasse a sala e os quartos e achei-a algo tensa, ouvi uns barulhos estranhos no andar de baixo e desci instintivamente, dando de caras com o Miguel, que parecia estar escondido ou algo do género, foi muito estranho, não consegui perceber bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Hum, e como é que ele está? Perguntou-me num tom agora preocupado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Não sei, mas pareceu-me estranho, estava muito branco e magro, como se estivesse doente, respondi-lhe agora mais calmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;No dia seguinte, resolvemos ir visitá-lo sem avisar. Na verdade, para além dos laços de sangue que nos uniam, éramos amigos verdadeiros desde crianças. Fomos conversando, e fui perguntando mais algumas coisas ao meu irmão, que me foi descrevendo um pouco mais pormenorizadamente a estranha situação, mencionando agora as grandes olheiras que lhe entrevavam a face e a alguma tristeza que lhe arqueava os lábios, arquivando um abismo de pavor. Num instante, estávamos à porta e com três pancadas fortes e secas que torturaram a madeira da porta nos fiz anunciar. Ninguém vinha abrir e voltei a soquear a porta por mais algum tempo. Passados mais de cinco minutos a tia Isabelinha veio finalmente à porta, hasteando um marcado sorriso amarelo, e num cínico e curvado,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Então Manuela estás boa, há tanto tempo que não te via.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Sim, vim com o João ver o Miguel, atirei rapidamente tentando despachá-la, que a custo nos convidou para entrar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Pois, mas ele está tão cansado, e agora está deitado, se calhar era melhor virem num outro dia, disse num tom não tão convicto como pretenderia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Certamente ele ficará feliz por nos ver, e desci agarrando o meu irmão e ignorando o olhar furioso da tia Isabelinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Ao descermos as escadas o escuro aumentava, como se nos aproximássemos da treva, um escuro denso e avermelhado, desordenadamente abstracto. Batemos à porta do quarto onde o Miguel estava enclausurado, que num ápice nos abriu a porta abraçando-me chorando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Conversámos os três por longas horas, e foi-nos contando histórias e histórias de Paris sob os nossos olhos atentos e felizes, enquanto reparava na frágil figura que mostrava, que o meu irmão já me tinha descrito, a magreza tisnada de uma branquidão doente, tiques constantes e nervosos que ora coçavam o cabelo sem brilho, ora esfregavam o nariz, a perna esquerda que não parava de tremer um segundo,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Até amanhã Miguel, vamos combinando coisas, e vê se tomas algo e comes bem que estás com um ar doente, disse despedindo-me e desaparecendo sob a luz desfalecida dos postes que ordenadamente marcavam a estrada de volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Era noite de sábado e resolvemos sair, eu e mais um casal de alemães, a Hannah e o Jurgen, havia uma festa, diziam óptima, na &lt;i&gt;fabrique rouge&lt;/i&gt;, e como conhecíamos os porteiros e a Julie do bar, facilmente entraríamos. Saímos de casa, já condignamente regados, alinearmente e rindo alto pelas ruas sujas e brilhantes da Paris dos anos setenta, a Paris dos sonhos e alucinações de todos os artistas, a Paris de um valor erótico que se deixava comer em troca de um conhaque (a vil ciência), a Paris vulcânica que cantávamos elipticamente e nos guardava terrivelmente os desgostos. Chegámos à enorme fila e, depois de ter pedido a um dos seguranças que chamasse a Julie que nos recebeu com gritinhos histéricos e abraços, rapidamente entramos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A música estava óptima e continuamos a beber, eu estabeleci-me nos gins tónicos e os alemães no vodka, até que o tempo e o espaço se começaram a confundir, o ar pesado e suado apertava-me a cabeça, e a coca que tínhamos &lt;i&gt;snifado&lt;/i&gt; antes de sairmos de casa empurrava-nos para a pista, que tresandava a feromonas, a tesão, e dei por mim numa espiral química a dançar envolto numa corpografia alongada com uma tipa hispânica, despida num vistoso vestido vermelho, que já tinha visto por duas ou três vezes pela Noite, e que me segredava ao ouvido ordinarices em espanhol, enquanto as minhas mãos lhe sentiam descaradamente as ancas e as nádegas e todas as formas imóveis que lhe tremiam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Acordei, seguíamos aos beijos num táxi a caminho da casa dela pareceu-me, quase nos comendo por ali mesmo, sob os olhares furtivos do taxista atiçado que nos ia espiando pelo retrovisor com a mão esquerda no bolso embora não lhe desse muito jeito. A minha razão era coca e gin naquele momento, a minha razão era a testosterona que cuspia pelos poros que ardiam, obstruídos de suor, de sémen, e saímos do táxi, percorrendo-lhe as minhas mãos todas as partes molhadas do seu curvo e malévolo corpo, enrodilhadas pelo encharcado vestido vermelho cada vez mais curto, sempre manuseado pelos meus longos e sábios dedos. Fomos derrubando portas e móveis e perdendo roupa até que entrámos em casa, libertando o espaço, e depois de lhe arrancar o vestido e já erecto como poucas vezes, bombeando litros de sangue a cada batida cardíaca para o pénis inchado e vermelho, encostei-a a uma parede despida e branca da sala que nem conhecia, de costas voltadas para mim e penetrei-a com força, enquanto a agarrava e cravava as unhas cada vez mais quanto mais a fornicava. Os gemidos aumentavam e sentia torrentes de suor correndo-nos os corpos, fazia um calor tremendo naquela noite, os movimentos aumentaram o ritmo pautados pela sua respiração anelante que me ia ouvindo ofegar ao ouvido e viemo-nos ao mesmo tempo num caudal de líquidos que nos inundou as entranhas e as pernas, alimento brutal, numa explosão de êxtase, de um estranho êxtase ao sentir subir um raio que me consumiu todas as veias, todo o sangue, uma estranha infecção que senti naquele momento, a semente de destruição que me matou naquele preciso momento, devorando-me de dentro para fora, espalhando morosamente o vírus por todos os recantos e recessos do meu corpo, cravando-se em todo o sangue que me jorrava agora morto. O vírus &lt;i&gt;encarnado&lt;/i&gt; engoliu-me ali mesmo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-6168215876642811034?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/6168215876642811034/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/08/ninguem-me-sabia-de-volta.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/6168215876642811034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/6168215876642811034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/08/ninguem-me-sabia-de-volta.html' title='Ninguém me sabia de volta'/><author><name>Jorge Oppenheim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600323244312261667</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/-RLnAY-T8-wQ/TZUrlA-P3NI/AAAAAAAABEo/5fJ7IetI6Ck/s220/vader-fail.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-4269096750990528698</id><published>2009-08-19T04:05:00.001-07:00</published><updated>2009-08-20T15:03:04.329-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gRRR'/><title type='text'>Eu sei que são só vinte minutos.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Eu sei que são só vinte minutos. Sei que não é o fim do mundo, até por que esse de tanto prometido nunca mais chega. E sei que até me posso considerar abençoado, não é das piores linhas, há quem tenha que mudar de linha, apanhar eléctricos e comboios e sei lá mais o quê. Eu sei isso tudo… Mas isto está a tornar-se como uma ferida que não cura, volta e meia rebnta a crosta, sangra de novo.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;E hoje então, isto está mesmo do piorio. Um calor abafado vibra nas janelas, tolda a cara dos caros utentes, sua nas camisas dos estagiários, enfraquece as pernas dos turistas exploradores, inquieta os estudantes na recta da meta antes do devaneio do Verão.  Poderiam ter dormido setenta e duas horas de enfiada que assim que aqui entrassem, entrariam na mesma hipnose sonolenta de quem não quer pensar, de quem não quer estar aqui, de quem só quer é chegar ao ponto B, as portas abrirem-se e fugir para o ar livre. Por isso todos nós somos sonâmbulos aqui. Todos estamos no devaneio do limbo pré hipnose, ou pelo menos representamos que estamos, para o público sacolejante, de estação em estação. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Abre-se a porta na primeira estação depois da que me engoliu. Sai um magote desordenado e aleatório, que isto não é o Japão e nós não somos finlandeses, entra um outro magote, cara de derrotados antes do jogo, não há lugares sentados, não há lugares em pé com o afastamento que o Verão pede. Um ser enrugado, pálido, quase translúcido, encosta-se à barra que dá forma ao assento e abre o jornal. Ler é das poucas liberdades que esta caixa de aço e alumínio nos dá. Mesmo que sejam só vinte minutos… é como a sesta, também não convém que seja muito mais. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Que fez este velho com a vida que passou por ele? Porque insiste em nos acompanhar na toupeira de ferro? Até quando vai ele ter paciência para ler o desportivo neste embalar ruidoso e intermitente? Não sei. Problema dele. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Mas não deixo de ser puxado, magneticamente, para uma observação longa e detalhada da figura, um espectador de uma exposição de fotografia, sem a preocupação do observado ver o observador. Não só as rugas são imensas, como o cabelo, apesar de intacto no couro, já não apresenta qualquer cor. Nunca saberei se este homem foi louro, moreno, ruivo…  As mãos são finas, longas, aparentemente impossíveis de articular. Mas articulam, numa quase adivinhada dor de falanges e falangetas, a separar com cuidado e calma cada folha do jornal. A roupa antiga mas de corte adequado ao corpo, sinal de um cuidado de quem percebe a arte de sobreviver ao abismo do tempo e da indiferença. No fundo, mais um sobrevivente da travessia diária, conformado com estes minutos de alienação, calor, cheiro, contacto. Saiu no magote seguinte, passo lento mas firme, vai seguro, não precisa de pena, misericórdia ou carinho - por isso não divago mais com ele, fica apenas a minha inveja pela sua serenidade, que tanta falta me faz nestes dias de calor e suor.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Existe uma periodicidade estranha e nova na frequência com que ultimamente revejo pessoas que não conheço mas que reconheço. Uma senhora de meia idade, de roupas sempre com algo de florar, sacos de compras, revistas cor de rosa e sempre uma chamada de telemóvel para atender, em voz alta e brejeira. Um casal de asiáticos que agora revejo-os na situação de pais, ainda mais stressados e assustados que antes, a mirar os mirones pelo canto do olho, o que no caso deles é um autêntico triângulo. Uma estudante, que agora já não o é ou então fartou-se de carregar livros. Ia sempre muito provocante na pose e no estilo, mas nestes dias vai sóbria e alheada. Talvez tenha casado e vá a pensar no móvel da sala que queria tanto comprar, talvez tenha casado e vá a pensar que não quer comprar móvel nenhum mas que agora já é tarde. Um senhor de idade, mas não muita, que se não é padre disfarça muito bem. Sempre com um esboço de sorriso que nunca concretiza e uma polidez abafante e desnecessária. Um preto que teima em continuar a ouvir música, nos auscultadores, alta. Mas agora ouve-a ainda mais alta, como se a quisesse também enfiar pelos nossos cérebros adentro, num prenúncio da surdez precoce que daqui a uns Verões lhe vai assaltar. Um homem de traços finos e pouco vincados que teima em ler livros de espessura hercúlea. Continua a fazer pausas no que lê para mirar um ponto que está para lá do fim da linha da ultima estação. Acho que ainda não chegou a conclusão nenhuma. Um tipo encorpado, que agora ainda se mostra mais encorpado, de tal modo a roupa parece sempre pouca para toda a massa de músculo e tendão anexa a ele. Sempre com o seu saco desportivo, enorme como ele, à beira dos pés, em segurança. Ainda assim não são estes seres revisitados que me diluem a sensação de vazio quando as portas fecham e damos o solavanco que vence a inércia. Eles nunca saberão que eu sei que eles existem, e eu nunca saberei que alguns deles até sabem quem eu sou. É como lá no meu prédio. Eu sei que a minha vizinha faz sempre uma algazarra de risos e gritos com o marido na sexta à noite. Mas não sei o nome deles, nem vou lá perguntar.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Certos dias consigo libertar-me do facto de estar aqui. É muito simples na verdade. Levo um bom livro, uma má revista, um jornal sensacionalista, um jornal politizado, uma magazine de música, um qualquer punhado de letras organizadas de modo a pôr os olhos nelas. O problema é que como tudo o que é simples, é difícil de alcançar se não tivemos a mente limpa. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Umas das ajudas, por muito mau que isto vos possa soar, para me animar na viagem são os painéis publicitários. Têm sempre algo a dizer, mudam todas as semanas, são coloridos e algumas vezes até me fazem rir, de um modo inteligente e silencioso. Assim eu vou sabendo que com Tolf a minha vida pode ter uma frescura crocante e que sem Nils a minha roupa jamais será a mesma. Já não consigo viver sem a brisa fresca e suave do roll-on Vuzt e sei que mais cedo ou mais tarde vou ter que fazer aquele PPR do anúncio do cão e do velhote. E sinto-me de algum modo unido a algo, acarinhado por alguém. Eles pensaram em mim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Existem alguma coisas na viagem que, à falta de distracção maior, ocupam  o meu pensamento por dois ou quatro minutos.  Tenho um fascínio sempre renovado pelas galerias técnicas, com os seus destroços abandonados, os seus cabos multifilares, multicolores, multiembaraçados e multipoluídos a correrem a par e par com a carruagem. Que se passa lá? Se eu lá me escondesse, eremita solitário em busca de iluminação celestial, alguém me iria interromper? Se calhar o velho estóico do jornal desportivo… nunca se sabe. E lá ouviria o mesmo que oiço aqui dentro desta caixa metálica?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Todo o ruído, mecânico, repetitivo, que vou reconhecendo, uma música que canta o caminho de ida e o de volta, apenas alterada pelo adorno das vozes, dos passos, que mudam. Mas não mudam muito. O ritmo é sempre o mesmo, a cadência também… é mais uma questão de instrumentos… uma vezes mais graves, com mais ou menos vibratto, com maior ou menor ataque. Esta música já me embala estes vinte minutos de ida e vinte minutos de volta há quase oito anos, e nada a muda. Pintaram as estações, mudaram as máquinas de venda automática, renovaram os assentos, mudaram as correias onde nos penduramos em segurança, quando de pé é a única maneira, mas a música mantém-se. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;De início, quando fugi do fim do fim-de-mundo para este beira do fim-de-mundo, tudo isto me fascinava. Um brinquedo gigante de sons, cheiros e reboliço. Nada me fustigava e tudo merecia ser observado com uma atenção de esponja de lavar loiça. Prendia-me em pormenores gigantescos, quantas pessoas estão numa estação, demorava-me em generalidades microscópicas, o padrão do vestido da rapariga morena do banco da frente. Tudo era válido para transformar cada viagem numa viagem nova. No fundo já pressentia o peso da rotina vulgar e desgastante do que viria depois. Depois veio a fase do cliente habitual, metia conversa, ria de coisas banais, sentia-me em casa. Mas ultimamente já não suporto esta parte da minha existência. É tudo demais. Fico com um cheiro a metal oxidado na roupa, se com sorte não tiver que tocar em ninguém que cheire pior que eu. De manhã ainda levo, eu e todos os outros, o odor dessa panóplia de coisas que se compram nos supermercados. Mas no final do dia já isso foi gasto em telefonemas, em correrias, em labutas, e cheiramos todos ao mesmo, uma raça humana cansada e infeliz. Os bancos largam um fedor velho e lento a cidade, abafado pelo cheiro a electricidade, vomitado pela goela do tubo, por onde entramos todos no nosso sonambulismo comunitário.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Lembro-me de há coisa de dois meses ter encontrado um colega de longa data no percurso de volta. Não o via há mais de dois anos. Dois anos não é assim tanto tempo, mas neste caso pareceu-me que tinham enfiado o rapaz numa máquina de secar roupa, centrifugação no máximo, programa longo. Mais um fruto da cidade. Encetei conversa tentando alcançar o estado de graça e harmonia que tínhamos há vinte e quatro meses, mas pareceu-me estar a falar com um estranho sobre outro estranho. Desde esse episódio que o evito se pressinto que ele possa estar na mesma carruagem. Não quero repetir aquela sensação de estranheza, de ver um corpo familiar, que julgo conhecer, não ter nada para me dizer, nada em comum para falarmos. Assim preservo a imagem antiga dele, do bebedor de muitas noites, do falador de muitas conversas do riso de muitas risotas. E evito o estranho que agora colecciona profundidade de olheiras e respostas vagas e óbvias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Antes deste tédio enorme, perdia-me a apreciar o graffiti da subcidade. É impressionante onde este pessoal vai para borrar uma parede. Dentro da galeria existe todo um ecossistema de tagues que lutam entre si para se perpetuarem no ínfimo espaço de tempo até um outro puto com sonhos  se infiltrar no tubo. Algumas preciosidades artísticas vão decaindo com o tempo em suportes diversos: caixas eléctricas, sinalização, cartazes gastos… até que a murraça negra encobre tudo, uma nova tela para o próximo graffiter. Mas o graffiter alimenta mais a alma dos que pintam da que dos apreciam e filtrar o sumo no meio de tanto lixo começou-me a cansar e abri portas ao tédio de novo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Não se iludam os que pensem que eu desgosto deste sitio. Acho que não encontraria outro melhor para mim. Apenas queria outra posição neste plantel. Por vezes, quando vou ao centro para comer um hambúrguer mal passado com alface industrial, observo os apartamentos no alto das caixas altas de betão. Não deve ser assim tão mau…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Confesso que já pensei em fazer o sacrifício de gastar mais doze minutos para ir de autocarro – mudar a minha vida. Mas doze minutos implicam muita coisa. Implica acordar mais cedo, implica chegar tarde… e eu sei que depois volta tudo ao mesmo. O que tem que mudar não é a viagem, é o viajante. Esta pessoa tem que perceber de uma vez por toda que são só vinte minutos, nada mais que isso. Serve apenas para chegar ao trabalho. Não há nata de metafísico nem de poético nisso. É só a merda de uma viagem de metro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-4269096750990528698?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/4269096750990528698/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/08/eu-sei-que-sao-so-vinte-minutos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/4269096750990528698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/4269096750990528698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/08/eu-sei-que-sao-so-vinte-minutos.html' title='Eu sei que são só vinte minutos.'/><author><name>gRRR</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11859441773831403278</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_cx0CPa8AC1k/TEC5-5JJApI/AAAAAAAAAGs/ZNAwZIDmo5c/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-2666377131827441378</id><published>2009-06-19T04:57:00.000-07:00</published><updated>2009-06-19T06:53:43.447-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gRRR'/><title type='text'>O regresso do meu irmão</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Hoje até está menos frio. O Verão aproxima-se, puxado por um final de dia vermelho nos fios de nuvem que ainda sobram. Já não devia estranhar estas coisas do ciclo do clima, afinal ando exposto ao clima há tanto tempo… mas creio que é pelo meu renovado espantar nestas miudezas que ainda me mantenho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Tenho dormido neste sitio já vai para umas duas semanas. Não é mau de todo: o banco de jardim até é dos mais largos, daqueles antigos, pés de ferro forjado, enrolados, ripas de madeira, espaçadas mas não muito, apenas o suficiente para marcar as costas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Os estudantes ficam até tarde aqui na rua, lá aparece um outro colega de mendigagem e de bebedeira, enfim – desenrolam-se os dias com um pouco menos de solidão. Mas, como sempre, começo a ficar farto desta cidade, das suas repetições, dos cheiros conhecidos e das caras tornarem-se familiares - e tenho que ir para outra. Porque a minha companhia é esta solidão, esta solidão que renovo. É um jogo, um jogo de orgulho e de fuga, que persiste até eu achar que o venci.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Imaginem só que no outro aproximou-se de mim uma senhora da minha idade, dessas que imaginam que são modernas, e deu-me os bons dias. Na altura nem percebi o que se estava ali a passar, mas no dia que se seguiu a conta apareceu-me feita em frente aos olhos – ela já se tinha familiarizado com a minha presença ali de manhã. Mas onde é que isto vai parar? Daqui a nada quer saber o meu nome, não? A vantagem de se ser vagabundo é, acima de todas, essa mesma: anonimato. Eu não sou ninguém, não interesso a ninguém e não valho nada para ninguém. Imaginem que esta pobre alma começa a ter pena de mim! Mas não estou a falar da pena medíocre da qual vou vivendo, disfarçada de misericórdia, mas sim da autêntica, preocupação real, não com a sua consciência mas com o meu estado. Inadmissível! Amanhã já não me apanham neste banco! Tenho que ver o outro jardim que fica na outra ponta da cidade… Ou então rumar para outra cidade, sim… isso ainda será o melhor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;É verdade que já me custa a idade a avançar e a energia a desaparecer. Já não é tão fácil pegar na trouxa e partir pelo alcatrão até à próxima cidade, ainda me dá aquele gozo, mas o corpo já reclama. Cinquenta e dois anos não são vinte e dois. E tendo em conta que decidi não ter número de segurança social, não posso ir ao médico… até que para ir ao médico tinha que dizer o meu nome: e isso seria inadmissível… acho que já o tinha dito. Mas sim, confesso, chateiam-me certas coisas da vida de vagabundo… não lavar os dentes, por exemplo. Isso aborrece-me de morte. Aprendi um truque com os pretos na televisão: um pauzinho de árvore meio verde, resolve a coisa. Sofro com a falta de entrar num cinema – eu antes via cinema todas as semanas. E gostaria de ter um sítio para ter um cão que me estimasse e que o estimasse. Mas não se pode ter tudo…&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Então parto amanhã, está decidido. Mas hoje vou ficar a aproveitar o ar quente de verão que escorre das folhas das árvores até ao chão, transportando um cheiro de trabalho vegetal imenso, um suor vivo e verde. Eu aprecio estas coisas. Coisas poucas e soltas que o mundo me dá. Não preciso de televisões, confusão diária de sons e de notícias, governos que se desmancham, aviões que caem. Não preciso de novelas falseadas em planos meticulosamente iluminados, porque sorvo as reais, bem mais trágicas e intensas, sem maquilhagem nem decor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Saboreio coisas pequenas, mas quando as saboreio finjo para mim que são cerejas importadas com gelado de menta persa e pepitas de chocolate negro. Coisas como assistir a uma luta de pardais pela fêmea. Dois gatos a brincarem com a rega automática do jardim. Três crianças a maltratarem o avô com as habituais perguntas metafísicas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;É impressionante a quantidade de coisas que ouvimos quando dormimos num jardim. Amantes a discutir. Namorados a planear. Estudantes a desconversar. Bebedeiras imensas de quem chega a uma hora da noite que já julga puder falar sobe a metafísica das coisas, bebedeiras imensas que transformam o surdo num connoisseur de solos pentatónicos e inversões de acordes. Sorvo essas conversas para mim. Não há assim muita disponibilidade para ir ao teatro, ver novela no café implica consumir e ler só mesmo restos de jornais no inverno, mas já me deixei disso – dá um ar muito decadente. Por isso estas pontas soltam de conversas na rua são o meu entretenimento, a minha diversão miúda. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Por vezes, raras mas suficientes para manter a chama da curiosidade, oiço conversas verdadeiramente dignas de serem impressas, em times new roman, justificado, espaçadas a linha e meia. O meu ouvido já não ajuda tanto como dantes, mas ainda assim recolho muita coisa que aponto no meu único pertence, a única coisa que realmente amo como se de algo mais que uma coisa fosse: o meu livro de conversas. Aponto-as logo, se tiver lápis, ou quando este desaparece ou se acaba, sacrifico uma ou duas cervejas para comprar o próximo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Há quem se dedique à caça, quem se dedique á fotografia, quem se dedique a filatelia… eu colecciono conversas. Com sorte, numa época boa, apanho umas duas boas conversas num mês. O verão facilita mais a caça, as presas andam mais soltas, mais falantes. As melhores são geralmente aquelas em que os falantes já estão alterados, pelo sopro de Baco, ou de esses outros deuses modernos, mais sintéticos. As pessoas falam sem pensar, o que ajuda a que seja ao espírito a falar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Desde que ando nesta vida, desde que abandonei a outra que tinha, já enchi dezoito cadernos de conversas. Guardo-os todos na única coisa que possuo neste mundo – a minha mochila. E um dia espero voltar à casa dos meus pais, que de certo já lá não vivem, tomar um banho, comer um bife, e depois destes luxos dizer à minha irmã, se ela estiver lá, ou ao meu irmão se ele tiver paciência: toma, imprime isso, põem na net, qualquer coisa. E reformar-me…&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="line-height: 115%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;E pensando bem… é amanhã. Amanhã volto para casa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-2666377131827441378?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/2666377131827441378/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/06/o-regresso-do-meu-irmao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/2666377131827441378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/2666377131827441378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/06/o-regresso-do-meu-irmao.html' title='O regresso do meu irmão'/><author><name>gRRR</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11859441773831403278</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_cx0CPa8AC1k/TEC5-5JJApI/AAAAAAAAAGs/ZNAwZIDmo5c/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-6566933796840690288</id><published>2009-06-18T16:06:00.000-07:00</published><updated>2009-06-22T07:47:42.817-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='motor'/><title type='text'>infância Perdida</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;As idas a casa são sempre estranhas. Talvez porque já não seja casa como foi. Fico, de certa forma, esquivo e de olhar fundo. Corro aos repelões de um lado para o outro e vou atafulhando as malas de roupa suja e &lt;em&gt;tupperwares&lt;/em&gt; ainda besuntados com restos de comida velha, que por lá se foi cravando. Fecho tudo, as persianas batem ruidosamente e sacodem o pó, olho uma última vez para me certificar de que tudo está em ordem, e o escuro que toma o quarto enche-me o estômago de um desabitado enjoativo. Não tenho tempo para pensar e, enleado no puzzle dos fios dos &lt;em&gt;headphones&lt;/em&gt; que me namoram as orelhas, ouvindo compulsivamente um estranho álbum dos &lt;em&gt;The Books&lt;/em&gt;, vou correndo atrapalhado pelo metro até à estação dos autocarros, carregando um aglomerado de malas e livros e jornais que compro pelo caminho e encalhando em desconhecidos que me fitam furtivamente.&lt;br /&gt;Gosto de viagens. Gosto essencialmente da calmaria que encontro nas viagens de autocarro. Desapareço no fundo do autocarro e sento-me junto à janela, que me vai contando histórias fugidias, por entre árvores e casas e pessoas que desaparecem rapidamente, perdidas nas cores esbatidas e espantadiças que, ao longe, no horizonte, implodem lentamente. A televisão passa a merda de um filme qualquer que berra tiros no ecrã, uma comédia de acção – “Hora de ponta” – ou algo género, tento ignorar e adormeço, aos poucos…&lt;br /&gt;É estranho chegar a casa depois de algum tempo de ausência. Paro por momentos, e observo o prédio indelicadamente suburbano que me pariu, vestido ainda com a tinta rude da altura, e fico imbuído num sentimento alto de &lt;em&gt;apatradismo&lt;/em&gt;, talvez com vontade de não entrar em casa. As minhas coisas, antigas, fedem um aroma que desconheço, como se já não fossem familiares. A casa está vazia, deixo tudo espalhado pelo chão e estendo-me na cama de barriga para cima e os braços colados ao corpo. A sensação é estranha, como se estivesse a dormir novamente pela primeira vez naquele sítio. Apetece-me fugir, desaparecer, perder-me no verde-escuro tenso que a vista do meu quarto esconde lá ao longe. As nuvens, carregadas de um cinzento danado que ameaça bolçar água e trovões, fitam-me de esguelha, reconhecendo-me de outros tempos.&lt;br /&gt;Resolvo visitar a minha avó e sigo, rumo à minha infância, por um carreiro de terra batida e pedras a espaços, que vou pontapeando e acertando no espaço, agora um pouco diferente, mais largo e comido. Sobrevivo. Movo-me pela paisagem temperada com carros velhos plantados pelas valas que foram crescendo ao longo dos caminhos, ali deixados pelas bebedeiras dos cromos rebeldes e heróis que me fascinavam na altura, que já fazem parte da própria vegetação, cascalho escorregadio e perdido e erraticamente tresmalhado, ovelhas sujas perdidas pelo pastor que morreu bebido de aguardente atrás de uma moita qualquer, pequenos animais cobardes que ao mínimo ruído desaparecem num instante na negridão de folhas mortas e secas que vestem partes da estrada, viajo no tempo, a cada passo que dou, recuando aos sítios que conheci ainda criança.&lt;br /&gt;O voltar a casa por vezes é difícil de parir, a sensação que me fode as entranhas é diferente de todas as outras. Arrasto os ténis sujos e os atacadores desmazeladamente soltos pela terra, apatia que agora sou, e, ao começar a tocar no &lt;em&gt;ipod&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;The rat&lt;/em&gt; dos &lt;em&gt;The Walkmen&lt;/em&gt;, cedo avisto novamente casas, de um branco vertical que encandeia, cães de pelo arraçado, irritados num cio de metáfora, que limpam a calçada cagada pelo cagaçal das galinhas desgrenhadas que vagueiam estupidamente sem rumo e comem restos de melancias vazadas pela calçada e de pedaços de esferovite deixados ao vento, velhos quase mortos que se arrastam pela sombra dos bancos, exterminados por relógios em forma de pistola, e pouco falam e reconhecem-me de soslaio, - &lt;em&gt;o neto do outro, aquele que foi para a capital&lt;/em&gt;, entro numa ruela que conheço como a palma da mão, quantas vezes sangrada dos tombos de criança, e sorrio.&lt;br /&gt;Irrompo casa adentro depois de pontapear o Morais, todos os dias mais velho e de olhar oco, já sem a jovem vontade dos bordéis caninos que o faziam desaparecer durante semanas, que me reconheceu logo, abanando a cauda e erguendo-se para me receber ganindo sentido, e grito&lt;br /&gt;- Ó avó!!! Berro que percorreu rapidamente todas as divisões da casa agora desabitada.&lt;br /&gt;- O meu neto!!! Não sabia que vinhas tão cedo. Há tanto tempo que não vinhas à terra, há tanto tempo que não te via João, desde que o teu avô morreu, respondeu-me sorrindo de lágrimas atrás das lentes amarelas dos velhos óculos que conheço desde sempre.&lt;br /&gt;- Pois, avó, sabe que com o trabalho é complicado vir cá ao fim-de-semana e estes últimos meses têm sido complicados…digo-lhe enquanto me descalço e abalroo o sofá que expele uma nuvem de pó que vai planando o ar vagarosamente, tusso duas ou três vezes e vou contando como avança a carreira e a namorada e todas as insignificâncias que significam neste mundo e oiço as amarguras de uma vida, talvez, demasiado comprida…&lt;br /&gt;- Ai que já não vou ver o meu neto casar, que pena, diz-me, num tom de pesar, enquanto retraça maquinalmente uma chouriça, com os dedos eximiamente entrelaçados entre a carne de sangue e a navalha.&lt;br /&gt;Como uma omeleta, usando a côdea do pão caseiro como faca, é assim que ensinam os bons modos na terra, e mastigo furiosamente sem pensar em nada. É peculiar a cumplicidade que me liga à minha avó, muitas vezes mãe, mesmo com as muitas ausências que a vida e os diferentes tempos impuseram. O silêncio emaranha-se no fumo baço que o fogão, despido, vai cuspindo, e vejo o brilho do orgulho que os olhos cansados da minha avó carregam.&lt;br /&gt;- A tua avó está muito mal, já nem vejo nada vê lá, apanha lá essa agulha que está aí no chão João ou ainda furas um pé, diz-me ironicamente franzindo a cara.&lt;br /&gt;Sorrio e apanho a agulha perdida pelos mosaicos pintados aos losangos cor de vinho que vestem o chão da casa,&lt;br /&gt;- A avó vê melhor que eu, que sou mais cego que uma toupeira, digo-lhe piscando um olho.&lt;br /&gt;O jantar aparta-me da realidade, concentro-me de faca e garfo empunhados e ruidosamente vazo o prato que, depois de lambido, brilha de uma forma quase obscena, não há ninguém que cozinhe como uma avó. Repito, embora a pança já pese de cheia,&lt;br /&gt;- Come filho, estás tão magrinho, lá em cima não tens ninguém que te trate como a tua avó, não é?!&lt;br /&gt;O tempo fugiu e resolvo não sair, não me apetece reencontrar ninguém do passado. A casa reanima as lembranças que julgava afogadas, as gaiatices que fazíamos, memórias encravadas e densas que nem uma pasta cremosa,&lt;br /&gt;- João, dá-me um bocadinho de chocolate para experimentar. Sabes, nunca comi chocolate e gostava de experimentar, tenho a sensação de que não passo da noite de hoje filho, disse-me enquanto afagava a cabeça com o esquelético indicador direito.&lt;br /&gt;- Não diga isso avó, está ai rija, ainda há-de comer muitas tabletes de chocolate, digo-lhe eu enquanto parto uma tablete de chocolate com nozes que tinha comprado no Lidl. A expressão de descoberta e satisfação juvenil na cara da minha avó, que mastigava com dificuldade, fez-me viver.&lt;br /&gt;A noite foi de um quente que estala os poros e pára o mapa sinuoso gravado em bolor no tecto. Os pássaros mansos calaram-se e abotoaram-me os olhos e as pálpebras tímidas. Quando acordei, um cheiro estranho a decesso abastava o ar, inerte e doente, um punho apertou-me o coração e o estômago empalideceu, corri para o quarto da minha avó, que ainda estava deitada, tapada pela escuridão que lhe carcomia o rosto às escondidas. Estiquei os dedos cautelosos e ao tocar-lhe a pele arroxeada senti as vísceras jorrarem gelo. Senti a loucura e a melancolia embriagarem-me as pupilas que dilataram.&lt;br /&gt;Corri por entre os gritos luzidios da ambulância que estacionava atravessada e voltei em silêncio, vagando pela tempestade inclemente que afundava navios e engolia mar, a minha infância, na falta de uma última piada que afastasse a morte, acabava de morrer-me.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-6566933796840690288?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/6566933796840690288/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/06/infancia-perdida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/6566933796840690288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/6566933796840690288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/06/infancia-perdida.html' title='infância Perdida'/><author><name>Jorge Oppenheim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600323244312261667</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/-RLnAY-T8-wQ/TZUrlA-P3NI/AAAAAAAABEo/5fJ7IetI6Ck/s220/vader-fail.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-5976764600636653108</id><published>2009-06-18T13:49:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T14:01:00.715-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='motor'/><title type='text'>A menina que gostava dos sábados</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Brincava com as bonecas espalhadas geometricamente ao longo dos tacos riscados do chão do meu quarto com mais gosto e tudo. As discussões e os gritos não interessavam ao sábado, porque era dia de jantar no Real. O brilho de criança nos olhos raiava-me nas córneas que até inchavam de ansiedade. Na noite anterior tinha tido dificuldades em adormecer porque o meu pai não chegava e a minha mãe dizia que estava doente e estava na cama a soluçar, e eu, sabendo o que ia acontecer, não conseguia dormir e chorava também e sentia coisas que não sabia explicar, ficava perdida no fundo das mantas, atenta, sempre atenta, no silêncio agitado da noite e agarrava com força um mosto de lençóis e mantas bem lá no fundo, sufocando vagarosamente com a espera. Ouvi as chaves que tentavam abrir a porta, embora com dificuldade, riscando a fechadura e a porta, e sabia já - ele vinha bêbado, um estrondo enorme e levantei-me, arrepiada com o frio que a noite tinha plantado, vi a minha mãe avançar com certeza, acendendo as luzes, e ele, estatelado no meio do corredor, lá se tentava levantar cuspindo um bafo hediondo a podre e a álcool, arrastando até à casa de banho o vómito que escorria aos esgarrões, e os gritos começavam,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- ‘Tou farta disto, qualquer dia pego na miúda e vou-me embora, és um bêbado de merda, e eu ficava especada, a nadar num pijama amarelo às flores que vestia sempre, com uma vontade enorme de chorar, sem perceber sequer o porquê e voltava para a cama e tentava tapar os ouvidos na esperança de não mais ouvir e ver e de que tudo não passava de um pesadelo. E, já na cama a fitar o escuro do quarto e as sombras que dançavam à vez por entre os apertados espaços que a persiana mostrava, chorava aos poucos, e tinha dificuldade &lt;st1:personname st="on" productid="em adormecer. No"&gt;em adormecer. No&lt;/st1:personname&gt; dia seguinte, limpava as lágrimas que sobravam da noite anterior e os soluços iam apagando-se devagar, e tinha sempre vergonha, sabia que os vizinhos ouviam, que os vizinhos sabiam, e ia para a escola de cabeça em baixo, seguindo ordeiramente o passeio encovando o olhar e o pio, dissimulada por entre os espaços que o dia eclipsava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;A tarde correu ainda mais depressa que eu corria pelos corredores do apartamento, apertados para as minhas pernas que cresciam minuto a minuto e estava quase na hora. O meu sorriso, agora descoberto, era gigante, uma enorme meia-lua que revelava a vaga dos dentes da frente partidos no recreio e a traquinice de uma infância solitária, que me comia a face temporizadamente. As discussões que me atroavam os ouvidos e faziam chorar às escondidas na cama, o não perceber o porquê daqueles gritos ensurdecedores e constantes, eram completamente esquecidas ao sábado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;O dia anoiteceu num instante e dei por mim já a vestir-me, um vestido lindo, rosa e branco e às borboletas sopradas, que a minha avó tinha trazido dos Estados Unidos, sentia-me importante, e lá fomos todos, num silêncio cortante de família funcional, encontrando ao acaso pessoas amigas, que me afagavam a cabeça como se de um rafeiro me tratasse,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Está tão crescida e é tão engraçada, e lá ia sorrindo cinicamente, apesar de na altura não saber o que era o cinismo, e apenas ansiava pelo grande momento, por mim íamos a correr, até chegar ao restaurante do aquário descomunal e do senhor preto das bochechas gigantes que soprava vendavais para um saxofone dourado e gasto, lançando notas soltas e tempestivas, que já na altura adorava. Era o dia mais feliz da semana, o único, era o dia mais feliz da minha vida. Adorava brincar examinando hipnoticamente os camarões gigantes que vagavam lentamente na água, movendo-se sempre aos enxames, como se o tempo quebrasse, arrastando as turqueses desproporcionais para onde quer que fossem e que me fitavam esbugalhadamente. Éramos os melhores amigos, era capaz de ficar simplesmente a olhá-los durante horas, dias se pudesse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Comia sempre o mesmo, longos bifes de carne de vaca que dançavam na brasa, espantando todos,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Como é que uma rapariga tão magrinha como tu consegue comer tanto, diziam, e eu sorria satisfeita com o meu grande feito, e exibindo a ausência dos dentes da frente que nem uma velha caquéctica que masca com as gengivas. Os meus pais pouco falavam à mesa, com a excepção de quando discutiam, mas eu não me importava e ia brincar com os meus amigos vermelhos que tresandavam a mar. Ficava horas sentada a olhar para o aquário imaginando-me sereia a nadar mar fora com os meus amigos, enquanto rodava a cadeira giratória, onde me sentava sempre. Adorava as cadeiras giratórias, todas as cadeiras deviam ser assim, giratórias, e girava, girava furiosamente até ficar mal disposta, sempre, com o cabelo a esvoaçar pelo restaurante aos gritinhos de felicidade. Havia homens aparvoados que nunca saíam do balcão e, por vezes, olhavam-me com um olhar estranho e brilhante e sorria-lhes inocentemente.&lt;br /&gt;Não conhecia o meu pai, era distante e pouco falava, excepto quando vinha bêbado, dizia a minha mãe, passava a vida entornado nos sofás e estava sempre chateado com tudo. A minha mãe era triste e estava sempre fechada no quarto, na treva, ciciando murmúrios imperceptíveis falando sozinha que nem a velha louca que vivia no segundo andar, enquanto eu brincava sozinha na sala, perdendo as tardes em frente à televisão a ver todos os desenhos animados e séries que passava ou enterrada em enciclopédias e livros que ia coleccionando meticulosamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Mas era sábado, o dia pelo qual eu esperava sempre durante a semana inteira num desespero jovial, olhando milhões de vezes para o meu relógio em forma de concha que tinha ganho no Natal passado, aquele em que jantávamos em família, como uma família. Os gritos do saxofone eram loucos e deixavam-me as mãos e os dedos a marcar tempos desenfreadamente, trauteando a madeira dura das mesas do restaurante e abanando a cabeça. Quando se mudava para o órgão, ficava triste e feliz ao mesmo tempo enquanto o ouvia, sempre atenta aos seus tiques, que me divertiam, esboçados enquanto tocava numa calmaria que estilhaçava vidros. Era a única pessoa preta que conhecia, para além dos que via na televisão, mas não me importava e adorava ouvi-lo a tocar. A noite acabava já o meu pai estava com a face enrubescida, quase parecia uma das lagostas, com as órbitas a nadar em álcool, e falava languidamente com toda a gente, como se fossem os seus melhores amigos, e íamos para casa porque a minha mãe queria, apesar de eu e o meu pai querermos ficar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Estou frente à porta do velho restaurante, agora fechado por umas tábuas comidas de caruncho que vai trabalhando a madeira num ruído de máquina metálico e mal pregadas, e uns papéis, de um branco sujo, dizendo trespassa-se. Lembro-me de tudo isto com uma precisão tal como se fosse hoje. Gostava de ser criança outra vez, de poder voltar atrás e não mais crescer, de partir os dentes e não me importar com mais nada, apenas sentar-me em cadeiras giratórias e girar, girar e girar pelo tempo fora até desaparecer nos entretantos do espaço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT&lt;/w:LidThemeOther&gt; 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"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Um cadáver bonito. É estranho, nunca pensamos nisso. Mas se pensarmos nisso sem revermos um futuro a adiar pode haver beleza nisso, não? Se analisarmos o objecto em cores e forma, um tema de fotografia, um quadro impressionista. Quem pode negar a beleza de uma papoila desfeita pelo vento? De uma ruína de uma igreja? Quem pode afirmar com absoluta convicção que não vê beleza num destroço de uma traineira, num cemitério de carros, no rescaldo de um incêndio? Apenas não temos a frontalidade de o dizer, às vezes nem tanto pelo que significa, mas mais pelo que implica.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height: 115%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O pai do Tó Manel era um cadáver bonito. Isto dito pela boca do filho, dito pela articulação mórbida do maxilar, meio adormecido pelo whisky que supostamente transforma o almoço numa coisa digesta. Nunca esperei ver tal metafísica escorrer pela boca de alguém que friamente e sem outras considerações apenas somava dias aos dias, pela força do hábito de acordar para trabalhar. Mas se calhar é isso que acontece a quem não semeou sentimentos em si. Resume as coisas aos factos. E os factos a coisas. E vai somando-os. Mas afinal a contabilidade dos dias lá lhe deu um sentido de estética, o suficiente para apreciar o cadáver do seu pai. Sabem o que o povo diz, se te queres ver daqui a uns anos, olha para o teu pai… Se calhar a consideração do Tó era apenas uma vaidade superlativa, embrulhada numa metafísica piedosa, mas vaidade na mesma… Mas eu sei que o Tó até era um bom ser, um bom colega de trabalho e em última análise um amigo disponível no tal momento que ninguém espera, em que todos falham.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height: 115%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Eu gostava de entregar um cadáver bonito. Não por querer morrer novo, estão tolos? Não por querer morrer extremamente sadio, o corpo é para gastar. Pela estética em si. Pela beleza que isso poderá ter. Mas mais importante do que isso é não ter um filho que o diga daquela maneira. Ou se o disser que o diga com carinho. Ou se o disser sem carinho que o guarde para si. Qualquer coisa… ou então não ter filho… qualquer coisa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height: 115%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Aquele início de tarde no restaurante e o cheiro volátil do whisky abriu-me uma gaveta da memória. Uma gaveta poeirenta e perra, daquelas que só abrem aos solavancos. Mas abri-a. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height: 115%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Lembro-me claramente, da pele inanimada e lisa. Do olhar vidrado, sem rugas. O Miguel Luís era um daqueles rapazes que se fazem homem aos 17. Aos 18 fuma e bebe e compra uma grande mota. Uma mota vermelha, reluzente, potente, incontrolável. O Miguel Luís era um mocinho orientado, poupado, uma mota, um part-time jeitoso, uma namorada, uma rapariga doce e enérgica. Mil beijos de manhã no intervalo da escola… porque o Miguel Luís ainda andava no Secundário… a escola não era o forte do carateca. Estudava, só que devagarinho – e ainda bem que não desperdiçou tempo com isso. Um dia de manhã quis estar com o Miguel Luís, mas tive que estar com ele sem ele estar comigo. O cemitério lá da terra não tem morgue propriamente dita, resume-se a uma salita de mármore frio e de cheiro duvidoso. O Miguel Luís viveu 18 anos 4 meses e 6 dias. A cabeça não controlou a mota. A cabeça rachou contra um camião. Nesse dia não o vi como profissional, ainda não o era. Miguel Luís era meu colega na turma de Saúde.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height: 115%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A gaveta da memória é traiçoeira, a dor transforma-se num sabor metálico no céu-da-boca, como sangue dum lábio mordido, mas aceitável. A fúria ganha metamorfoses de cheiro e permanece como um perfume intenso de mar no fim de noite, mas de certo modo agradável. E assim, tudo aquilo que nos esforçamos por esquecer, acabamos por relembrar com carinho. A nossa memória é movediça, falsa e movida por interesses que me escapam completamente – e lá dou por mim a recordar do menos importante como se fosse o dia da minha vida e a esquecer as datas de aniversário dos que chamo de meus.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height: 115%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A senhora Madalena era um monumento à persistência. Persistência em levar a dela adiante, pela própria mão, em resolver a vida como ela queria, sem interferências. Falava com ela o mínimo que é necessário falar. Quero dois pães. Quero dez papo-secos. Mas aquela força viva da natureza, sempre indeformável, de tal modo que até as rugas pareciam falseadas na luz do rosto, chegou ao dia trezentos e quarenta e dois do seu septuagésimo nono ano e decidiu. Hoje era um bom dia. Um bom dia para morrer, até estou calma e bem-disposta. E então molhou a mão esquerda, descalçou o pé direito e agarrou-se ao cabo do interruptor da padaria. Ela via aquele cabo ali há tanto tempo… sem uso… uma ponta com fita isoladora. Bolas, há que dar serventia às coisas. E deu. E deixou um corpo teso, forte. Esse sim um morto bonito, livre e determinado até ao fim. Não que concorde com a escolha, mas há que admirar a tenacidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height: 115%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;De há uns anos para cá decidi não perder mais tempo a definhar com o porquê, o quando e o como. Decidi que todo o tempo que me resta será gasto a celebrar o aqui, o agora, o que estiver a ser, o que tiver de ser. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height: 115%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Não sei, e sei que nunca o saberei, se algum dia vou ser personagem de uma gaveta especial de alguém, nem sei se isso importa muito. Mas é claro que não vou negar que gostaria de, a persistir numa dessas gavetas, aparecer com um corpo bonito, teso e radiante. Mais não seja para o caso de ser o meu colega &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Tó a me fazer a autópsia, que o faça com um prazer estético mais elevado. Eu faria isso por ele.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-8721754771761052270?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/8721754771761052270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/05/implicacoes-esteticas-da-medicina-legal.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/8721754771761052270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/8721754771761052270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/05/implicacoes-esteticas-da-medicina-legal.html' title='Implicações estéticas da medicina legal'/><author><name>gRRR</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11859441773831403278</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_cx0CPa8AC1k/TEC5-5JJApI/AAAAAAAAAGs/ZNAwZIDmo5c/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-806638056575040590</id><published>2009-04-22T05:38:00.000-07:00</published><updated>2009-04-23T05:23:01.007-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='motor'/><title type='text'>Os periquitos também são felizes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era uma vez um jovem casal de periquitos feliz da vida, feliz com a vida. Eram ambos novos e bem sucedidos, apregoava a gente e a sociedade. Tinham tudo - uma carreira sólida e em ascensão, uma linda e folgada casa na zona de Cascais, com vista para o mar, comprada pelo sucesso profissional que guardavam num banco espanhol, uma relação que ia de vento em popa navegando existência fora, uma carreira e um projecto para uma vida e várias outras, dois carros topo de gama, um cinzento metalizado e refulgente de quem tem a conta recheada, e outro grande e espaçoso de matrícula estrangeira, era fino na altura, tudo acompanhado da excelente imagem que possuíam no meio, convidados frequentes dos eventos da finória &lt;em&gt;socialité&lt;/em&gt;. Resumindo, tinham tudo, mesmo tudo.&lt;br /&gt;Ele era ridiculamente pequeno, era minúsculo, não era um periquito anão, mas poderia ser. Ainda assim, cantava de baixo para cima e de papo cheio que nem um &lt;em&gt;pavarotti&lt;/em&gt; de aviário. Ele era importante, mandava nos outros, sabia mais que os outros, gritava com os outros, e tinha uma esposa, ela, que era bela, de certa forma era grande ao contrário do seu módico tamanho. Ela era calada e feliz, tinha tudo para ser feliz, não havia qualquer razão para não ser feliz, estava casada com ele, grandemente bem sucedido. Era bem-parecida, vestia-se de penas de um amarelo garrido e espampanante, que nem o sol e queimava de olhar, e agora também dispendioso, a vida desafogada permitia-o, ainda que se dissipasse na multidão pelo seu perfil altero. Mas era feliz, tinha tudo o que sempre sonhou.&lt;br /&gt;A casa onde viviam, pintada de um branco altivo, cravada no penhasco mais alto que encontraram, que flamejava lá no cimo, a inveja de todos os vizinhos, estava decorada de bibelôs pelas estantes, e outras pequenas peças de arte de um estranho gosto, embora escolhidas a dedo, sofás do IKEA, lustrosamente modernaços aos olhos de muitos, dispostos ordeira e simetricamente, móveis tradicionais de um castanho-escuro e maciço cheio de rebordos trabalhados à mão e outras mariquices que enchiam o espaço despojado da enorme casa ditosa.&lt;br /&gt;Gostavam imenso de animais de estimação, porque a educação assim o ditou, e tinham um casal de humanos, prenda de casamento de uns amigos colegas de trabalho, que vivia numa enorme gaiola, esqueleto oval de finos ferros arqueados que nem varas verdes que encerrava a perspectiva. O casal de humanos, cerceado na grande gaiola branca e dourada, cantava por obrigação, sorria por dever, e queria correr para longe mas não podia, estava prisioneiro naquele cárcere inquietante. Nunca viram o que o horizonte guardava. Arregalando o olhar nas suas órbitas cavadas e impassíveis, perguntavam-se muitas vezes sobre qual o crime que teriam cometido para a prisão perpétua que cumpriam sem sequer terem sido condignamente julgados? Uma vida a olhar para o exterior, de pescoço e olfacto esticados, a conjecturar sobre como seria a vida lá fora, a liberdade de que os franceses se gabam, o mundo.&lt;br /&gt;Um dia a periquita chegou a casa, após um longo dia de trabalho, e disse ao fiel e mínimo esposo,&lt;br /&gt;- Amor, quero ser mãe.&lt;br /&gt;Ele sorriu de felicidade pela fortuna que lhes tinha tocado e decidiu que estava na altura de serem pais. Moralmente tratava-se de um imperativo, sabiam-no, estava escrito num qualquer tratado ancestral de boa família. Se já tinham uma vida perfeita, com um filho tornar-se-iam no casal arquétipo a seguir por todos os outros, panaceia da perfeição social e mestria familiar. Ambas as famílias ficaram radiantes com a notícia e festejaram todos num grandioso almoço de família, e comeram e beberam e gritaram e grunhiram festejando a excelente nova, todos em redor da grande mesa da sala, arfando aos brindes toda a sorte que tinham.&lt;br /&gt;Nessa mesma noite começaram o árduo trabalho da procriação, ele pequeníssimo saltitando numa fornicação algo atamancada por cima dela, que nem um &lt;em&gt;pincher&lt;/em&gt; com o cio, feliz, tentando confeccionar um filho, o último passo que restava para alcançar a perfeição e a felicidade autênticas, e ela calada recebendo-o simplesmente, tinha de ser, a felicidade e a perfeição requeriam-no. Passaram meses e nada, a felicidade desmedida era agora menor, pastosamente estranha, tinham dificuldade em se olhar nos olhos, marcaram uma consulta num médico privado, um periquito grande e gordo, com um timbre gritado de gigante rouco, escuro com ar de quem fumava dois ou três maços por dia, que, uns dias depois, acabou por lhes dar a terrível notícia de que o periquito era estéril e não podiam ter filhos. A felicidade foi assolada por uma profunda depressão, o casamento tremeu &lt;em&gt;richteriamente&lt;/em&gt;, e tempos de confusão ainda encheram a imaginação da periquita de tormentos, mas um casamento uma vez selado divinamente, é-o até ao caixão, sob pena de pecado espiável mortalmente.&lt;br /&gt;Tempos passaram e resolveram adoptar um periquito bebé, coitadinho, abandonado ou assolado por uma ou outra qualquer maleita social, infeliz, resolvendo, por um lado, o problema que lhes atacava a perfeição enquanto casal modelo e, por outro, permitindo-lhes prosseguir o bem, numa indulgência vertiginal, é que sem gestos destes, altruístas, não vamos para o céu, mesmo que sejamos periquitos dotados de fortes e longas asas que nem águias ou deuses.&lt;br /&gt;O processo foi rápido, conheciam alguém na comissão de acompanhamento das adopções de periquitos, e a felicidade voltou em pleno àquela família, perfeita novamente, o periquito bebé era lindo, de uma penugem tenra e amarelada, piava esguiamente e fazia sorrir todos. O círculo estava completo, aquela vida era agora perfeita, estava acabada. Uma obra-prima tinha sido conseguida. Ele tinha agora trinta anos e ela vinte e seis, eram felizes como muito poucos, tinham essa ventura, porque tinham tudo. Conquistaram tudo aquilo que estava à disposição para conquistar.&lt;br /&gt;O pequeno periquito, saía ao pai na altura, cresceu e esvoaçava pelos corredores encerados e radiantes da casa, numa ambiguidade delicada, o sangue que carregava nas veias não era o que devia, mas não sabia e era feliz e brincava todos os dias com o casal de humanos que ia sobrevivendo penosamente na grande gaiola. Cada vez menos cantavam, cada vez menos se deslocavam do poleiro, e iam fingindo sorrisos e assobios para que a família de periquitos não desconfiasse, por entre tremuras que anunciavam a demência. A gaiola era imensa vista de fora, mas minúscula por dentro, e todos os dias o seu interior os apertava jugularmente cada vez mais, tocando e fazendo estremecer os frágeis ossos dos humanos que a pouco e pouco iam cedendo na razão. O pequeno periquito apercebeu-se da tristeza funda que vivia com o casal de humanos, comentando com os pais, que logo lhe disseram,&lt;br /&gt;- Não sejas parvo, eles têm tudo para ser felizes, vivem numa gaiola enorme, linda, comem do melhor, nunca lhes faltou nada, é impossível não serem felizes. O pequeno periquito sabia que não, leu-lhes nos olhos a melancolia sem fim de uma velha viúva, sabia da dolência que lhes sopeava o espírito.&lt;br /&gt;Planeou um célere plano de libertação do casal de humanos e, nessa mesma noite, depois das onze, já os pais dormiam porque trabalhavam arduamente no dia seguinte, desceu sorrateiramente as escadas patinha ante patinha e aproximou-se da gaiola onde os humanos viviam enclausurados havia anos. Estavam acordados, na verdade pouco dormiam, as crises de ansiedade que os matavam não permitia, fitou-os e, por entre um charco de um silêncio pérfido, viu novamente aquilo que já sabia e, levantando a pequena asa, abriu a porta da gaiola. Eles ficaram estáticos, no vagar da imobilidade do ar, não percebendo o que o pequeno periquito queria deles, que lhes disse,&lt;br /&gt;- Sigam-me. Embora desconfiados seguiram-no, ciciando de uma forma estranha, desconcertada, já nem sabiam andar, dirigindo-se para a porta principal. Chegando à porta disse-lhes que apesar de gostar imenso deles não aguentava vê-los assim tristes como se estivessem mortos, abriu-lhes a porta e desejou-lhes boa sorte e muita felicidade. Os humanos abraçaram-no simultaneamente por entre algumas lágrimas e sorrisos e disseram-lhe,&lt;br /&gt;- És um bom rapaz, e seguiram um pouco perdidos, espantados com as soltas paisagens incógnitas que desconheciam, a liberdade que devoravam com o olhar e agora com todos os sentidos, de uma assentada só, num vórtice de sensações, e seguiram abraçados, felizes, desaparecendo sob a luz da enorme lua que iluminava o relento ensopado num amoníaco que lhes era desconhecido.&lt;br /&gt;No dia seguinte, o casal de periquitos apercebeu-se da fuga e irritados pela perda, mas porque haveriam de fugir quando tinham aqui tudo para ser felizes, pensaram, e acabaram por comprar um novo casal de humanos, ainda mais bonito e chilreador, que voltou a encher a gaiola e a casa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-806638056575040590?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/806638056575040590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/04/os-periquitos-tambem-sao-felizes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/806638056575040590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/806638056575040590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/04/os-periquitos-tambem-sao-felizes.html' title='Os periquitos também são felizes'/><author><name>Jorge Oppenheim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600323244312261667</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/-RLnAY-T8-wQ/TZUrlA-P3NI/AAAAAAAABEo/5fJ7IetI6Ck/s220/vader-fail.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-1772331066489141478</id><published>2009-04-22T02:51:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T09:25:36.138-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gRRR'/><title type='text'>Memória do meu bisneto</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Já não me lembro bem como foi… &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;os pormenores até que me recordo, mas a totalidade da coisa escapou-se me! É daquele tipo de coisas que nos ultrapassa, que por mais que queiramos, só poderíamos absorver e compreender, no seu todo, se as vivenciasse-mos vezes repetidas, como uma música que se decora a letra de tanto a ouvir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Eu vinha do trabalho, deveriam ser dezoito e trinta, dezanove, mais não. Eu na altura estava no Segundo Plano que era um sistema de trabalho social para Regenerados de segunda geração, que é o meu caso, já vou na terceira &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;regeneração. Lá no escritório tinha sido tudo muito calmo, era um dia normalíssimo, sem stress algum. Meti-me no auto e ia na via externa de acesso ao Bairro XLVIII quando aconteceu aquilo. Na altura não compreendi nada do que se estava a passar, e muito, ainda hoje, não compreendo. O céu primeiro iluminou-se dum rosa eléctrico, flamejante, de seguida o auto saiu do controlo automático enfiou-se pela berma da via contra os autoportantes de segurança. A voz do rádio digital simplesmente estava toda baralhada e não dizia coisa com coisa, saltava de servidor em servidor, mudei para rádio analógico enquanto mirava o céu que entretanto tinha ganho um brilho tão forte que deixei de puder manter os olhos abertos. Mas o rádio analógico também não funcionava, apenas emitia um zumbido. O painel do auto estava simplesmente morto. Depois o céu ficou escuro, muito escuro, completamente escuro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Aos poucos comecei a perceber o que se tinha passado. As notícias que me entretinham durante o jantar já o tinham evidenciado e sentia-se a tensão no ar. Todos os dias surgia uma nova notícia na Janela sobre algo que, tudo somado, só poderia levar a isto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;É impressionante como tudo aconteceu rápido e de certa maneira indolor. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;O meu bisavô Guerreiro falava muito da guerras do Iraque, do Kuwait, do Irão e da Mongólia como coisas que demoravam semanas a resolver, mísseis, casas destruídas, refugiados… Aqui não houve tempo para nada disso. Os mortos morreram na hora, os queimados na própria semana e os que sobreviveram correram para debaixo do solo no próprio dia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Desde esses dias que vivemos dentro da Cúpula. Os que sobreviveram ao Clarão agonizam numa cela com pouco mais de dez quilómetros de diâmetro. A Cúpula é o que resta de uma civilização. O último resquício de uma raça que se achou superior, mas que não soube lidar com um pormenor mesquinho. Uma gaiola, onde tentamos fingir que não estamos condenados. Onde tentamos explicar aos nossos netos o porquê de eles terem que ser pais antes dos cinquenta - ao contrário de nós. E nem nos atrevemos a dizer-lhes que o mais certo é nem isso conseguirem…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Vivemos aqui há quase quarenta anos e sem vislumbre de melhoras… O ar rarefeito, reciclado até à exaustão, a comida plástica no sentido absoluto do termo, as doenças de pele, a água com sabor, e o céu sempre negro. Como deixamos de ter acesso ao mundo exterior, como tudo mudou, incluindo a nossa maneira de viver o que resta da vida. Agora, que somos quase todos inférteis, é que a tecnologia de regeneração é quase impossível de aplicar – ironia das ironias. E pensar que esse foi o motivo ideológico da guerra. Melhor, esse foi o motivo que nos impingiram como o motivo pelo qual destruíram o céu, secaram o mar e carregaram os solos deste zumbido radioactivo. Mas não foi. Nunca é. O motivo é sempre o mesmo. O motivo da primeira, da segunda, e da terceira não seria diferente do de todas as outras guerras: mesquinhez e ignorância. Uma luta estúpida e desmedida por um poder que é tão provisório como as nossas vidas e a ignorância do quanto podemos fazer com o pouco que sabemos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Mas ainda assim, mesmo depois de tudo isto, as intrigas continuam – dentro da Cúpula. As famílias disputam entre si coisas que nunca demos valor, mas que agora são verdadeiramente importantes – água potável, comida de verdade, parceiros férteis e viáveis. E parece que a política veio agarrada a nós, como um carraço que sobrevive ao dilúvio. Continuamos a ser macacos mal amestrados, mas agora dentro de uma redoma mais pequena. Guinchavamos por um lugar ao sol, e desta vez por um lugar à sombra deste novo sol. É completamente absurdo, autista, mas continuamos a ter políticos, polícia, Estado, lei... para trezentas e poucas mil almas dentro duma redoma... como queijo protegido da gula das moscas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A Cúpula foi construída por um punhado de poucas centenas de homens que tiveram a coragem de sair por oito meses do Abrigo Central - um bunker miserável sem o mínimo de futuro. Com um pouco de engenharia construíram, dentro do possível, um abrigo para tentar desenvolver algo que se assemelhasse a uma esperança. Esses homens, na sua larga maioria, morreram ainda antes da conclusão, pela mão da implacável e muda radiação. Esses eram homens – abdicaram de si por nós. Mas volto a perguntar-me: para quê? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Este dilúvio teve o mesmo resultado do outro – a reconstrução de uma ninhada de ratos, abrigados numa Gomorra enfrascada. Confesso que me vou fartando de esperar que nasça o sol, para me voltar a desiludir com um disquinho luminoso no meio da escuridão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Eu sei, e alguns de nós têm a certeza, que lá foram sobrevivem viventes, mutantes, com as suas gerações transgénicas, nos subterrâneos do mundo – metropolitanos, redes de esgotos, o que desse. Mas nós nunca tivemos a coragem de os tenta contactar. E sei que os nossos líderes (sim, os lideres voltam sempre a aparecer…) mantêm a secreta esperança que eles padeçam antes de os podermos ver. Mas seria no mínimo pedagógico, para percebermos no reflexo deles o que fizemos...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Tenho entretido os dias a ler os poucos livros que não foram apagados dos discos rígidos pelo Clarão. Vou buscar a dose diária de alimento de síntese ao Laboratório da União, num passo calmo e de quem já não tem muito a perder, mas consciente que pior que perder é dar-se a perder. Mas é difícil levar uma vida organizada quando o sol, quer nasça quer se ponha, não muda a cor do céu. Não tomamos banho normalmente porque a água é racionada, reciclada, mantida sob um controlo policial militar – passamos toalhas com álcool no corpo. Tento não respirar muito fundo para não absorver o ozono e os aditivos desinfectantes e toda a merda que agora misturam no ar. E a Janela já não existe - racionamento energético. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Mas de tudo, o que me custa mais, por muito egoísta e estúpido que isto vos possa parecer, é ter que explicar um dia ao meu neto, que talvez nasça este ano,&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;que o céu era azul, que o mar tinha um cheiro, que havia chuva, estações do ano, uma luz natural que a nada se compara ao zunir das lampadas fluorscentes. E na verdade nem sei bem com isto aconteceu, não o vou conseguir explicar. Não sei o que lhe direi se me perguntar porque não fizemos nada... Às vezes, no pouco sono que vou tendo,&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;sonho que houve alguém que conseguiu evitar tudo isto – e eu estou na praia a comer uvas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-1772331066489141478?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/1772331066489141478/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/04/memoria-do-meu-bisneto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/1772331066489141478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/1772331066489141478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/04/memoria-do-meu-bisneto.html' title='Memória do meu bisneto'/><author><name>gRRR</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11859441773831403278</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_cx0CPa8AC1k/TEC5-5JJApI/AAAAAAAAAGs/ZNAwZIDmo5c/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-8142640684914350449</id><published>2009-04-03T11:03:00.000-07:00</published><updated>2009-06-19T04:08:27.078-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='motor'/><title type='text'>O fim dos marretas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;- Está?! Fozzie?! Daqui fala o Gonzo, vou passar uns dias em Manchester e era para perguntar se ainda moras por aí e se queres combinar um café ou tomar um copo ou assim.&lt;br /&gt;- Gonzo?!?! Fogo, há quanto tempo…Claro que sim, diz-me quando vens e é só combinar…fogo, que cena…&lt;br /&gt;- Epá, amanhã à tarde já vou estar por aí, devo ficar numa pensão ou num hotel qualquer e podíamos beber um copo por aí…&lt;br /&gt;- Ok, ok, combinadíssimo. Liga-me amanhã então!&lt;br /&gt;Dei por mim no comboio a caminho de Manchester, na verdade não sabia exactamente ao que ia. Andava perdido, tomado por um vazio angustiante e procurava-me, acho que perseguia a redenção. Todos os amigos que tinha foram-se com o dinheiro e com a fama, estava agora sozinho, completamente sozinho. Sentei-me ao lado da janela e fui vendo o tempo passar, de um azul corrido, a terra a ficar para trás, a melancolia cavalgando a paisagem afugentando os pássaros sem rumo, contemplando a inquietação das recordações que me encheram os olhos de algumas lágrimas negras que me atravessavam lentamente o longo nariz e ia sorrindo lembrando-me dos bons tempos do programa, a fama, o dinheiro, os copos, as festas, o dinheiro, as mulheres, tudo. Mas tudo se perde, tudo se perdeu. O comboio continuou sempre de forma linear seguindo ordeiramente a linha-férrea até à estação de Piccadilly, por entre o meu sono cavado.&lt;br /&gt;Agarrei na minha mochila, uma Eastpack velha e riscada, com uns quinze anos talvez, e saí do comboio. Vi-me um pouco perdido por ali, no meio de uma multidão que seguia desarranjadamente não sei para onde, embora me sentisse confortável naquele sítio. Pedi algumas informações a um miúdo carrancudo, todo vestido de preto e pintado e com uma crista vermelha, neo-punk ou algo que o valha, e saí dali em busca de uma pensão barata e agradável, essencialmente barata, visto a conta, em tempos recheada, encontrar-se agora despojada. Andei uns dois quilómetros até encontrar uma pensão manhosa – there goes one hotel - que ficava imbricada num beco, um prédio velho e não muito alto, indicada por um tipo de andar estranho, erguia exageradamente os joelhos como se de barbatanas andasse, que me olhou com olhos de quem me estava a reconhecer,&lt;br /&gt;- Desculpe, conheço-o de algum lado?! Disse-me desconfiado de mãos perdidas no fundo dos bolsos.&lt;br /&gt;- Penso que não, nem sequer sou de Manchester, estou apenas de passagem, objectei a fugir agradecendo com um erguer de punho fechado e polegar arrebitado e um sorriso esguio.&lt;br /&gt;Cheguei ao meu quarto, após me ter cruzado com uma insidiosa gata arraçada que vagueava pelo corredor num vogar vespertino, número vinte e sete dizia a plaquinha rachada pregada na porta, e sentia-se o mofo a flutuar pelo quarto, temperado com alguns pentelhos dispostos erraticamente pela colcha cravada de losangos às cores, lembrou-me umas mantas antigas que aqueciam a casa da minha avó. O vazio e o tédio estão cada vez mais difíceis de aguentar. Encostei-me um pouco a ver televisão enquanto fazia tempo até me encontrar com o Fozzie que já não via havia anos, - como será que estava? Pensei. A televisão, de um vermelho pequenino, não passava nada de jeito e o barulho da alguma chuva que havia tomado o ecrã era irritante, mas não tinha mais com que me entreter. Enviei uma mensagem ao Fozzie, - Como é, o copo mantém-se? A que horas e onde combinamos? E continuei por entre o aguaceiro que banhava a televisão vendo uma merda de um programa manhoso da MTV em que a mãe e a avó disputavam a namorada da filha e neta, respectivamente. O telemóvel apitou e vibrou no preciso momento em que abria um pacote de maltesers que tinha comprado na estação de comboios, um pequeno roubo, vício de miúdo, - Claro que sim! Podemos encontramo-nos daqui a pouco em Piccadilly na Aytoun Street e jantamos por lá, que achas? – Às 21h então. Abraço, respondi escrevendo a mensagem com uma só mão, enquanto, com a outra, vazava velozmente, até meio, o pacote de maltesers. Fui tomar um duche rápido, a água, baça e pesada, massajava-me a nuca e o corpo, encostado à parede, perdido por entre o vapor que entretanto se tinha levantado, - Engraçado, não faço ideia de como vim aqui parar, na busca de passado, de redenção e perdão, nem sei bem porquê…talvez seja a única solução para continuar a viver, pensei alto por entre repuxos de água que ia esguichando contra a porta do duche.&lt;br /&gt;Vesti-me num ápice, engraçado como já não ligava àquilo que vestia, e saí da pensão, por umas escadas íngremes feitas de um carvalho gasto e escuro, deixando as chaves na recepção com um tipo de pele avermelhada e sorriso pedófilo na cara, que pela atrapalhação devia estar a consultar sites de conteúdo menos próprio.&lt;br /&gt;Fui andando, discretamente, pedindo informações aqui e ali até conseguir chegar à Aytoun Street, onde o Fozzie já se encontrava à minha espera. Reconheci-o imediatamente apesar de ter engordado imenso, uns cinquenta quilos. À parte disso pouco tinha mudado, sorriso rasgado e parvo, nariz rosa, delator do seu vício de sempre pela pinga, pêlo castanho, agora esguedelhado, e o mesmo minúsculo chapéu castanho de anos.&lt;br /&gt;- Gonzo, há tanto tempo!!! Disse-me abraçando-me sentidamente, embora dificultado pela grande barriga, barril de cerveja, que transportava agora. - É verdade, não quero parecer lamechas, mas, fogo, tinha saudades tuas pá, há tanto tempo que não te via…aliás, do pessoal dos marretas já não tenho contacto com quase ninguém…&lt;br /&gt;- Pois, a última vez que nos vimos foi no funeral do Scooter há uns quatro anos, depois do desastre do gajo, que perda pá…retrucou olhando para o céu com um ar ascético,&lt;br /&gt;- Epá, vamos comer qualquer coisa ali ao Indian House, um restaurante pequenino onde costumo ir, que fica ali naquela esquina, come-se bem, tem uns bifes com molho de mostarda de bradar aos céus, bebe-se melhor ainda e é baratinho. Confesso que inicialmente me senti um pouco estranho ao olhar para um dos meus melhores amigos e ficar, de certa forma, incomodado, por vezes sem saber bem o que o dizer, embora a cerveja e o vinho que fomos bebendo, que temperava os dois bifes bem servidos, ter quebrado o gelo e dois copos que tombei com o cotovelo direito, sinal do álcool que me já alegrava o sangue. A noite destilava agora bem num desassossego crescente.&lt;br /&gt;- Então e a Miss Piggy, está tudo bem? Esse casamento? Perguntou inocentemente numa curiosidade felina.&lt;br /&gt;- Epá, não gosto muito de falar nisso, mas enfim. Separámo-nos. A tipa fugiu com o Animal, é uma puta como todos sabíamos, só eu é que andava iludido. Ainda andei fodido por uns tempos, bares e álcool, completamente por tudo, sem rumo, mas caguei. Não vale a pena, disse-lhe tentando desvalorizar a minha ainda perturbação com toda a história.&lt;br /&gt;- Não fazia ideia. Desculpa ter perguntado, disse-me embaraçado.&lt;br /&gt;- Na boa, só fico triste por ter perdido o meu melhor amigo por causa dessa puta. É verdade, sabes alguma coisa do Cocas? Interroguei-o com um brilho ambíguo nos olhos.&lt;br /&gt;- Epá, há algum tempo que não o vejo, mas o gajo andava todo fodido, acho que alcoólico, ainda andou metido na coca e noutras merdas, arrastava-se na ilusão de tocar e sei que andava a tocar nalguns bares, acho que mora em Cheshire, em Macclesfield. Desculpa dizer-te, mas o gajo desde que a Miss Piggy o deixou para começar a andar contigo nunca mais foi o mesmo. Ainda se tentou suicidar umas quantas vezes, segundo sei.&lt;br /&gt;- Pois, e percebo-o. De certa forma, foi uma facada nas costas e éramos os melhores amigos na altura, mas sabes como a Miss Piggy era, irresistível, uma oferecida…na altura era novo e sempre tinha tido uma panca pela gaja, que me conseguiu dar a volta à cabeça na cama, enfim. Ainda tentei falar algumas vezes com ele, telefonei-lhe e escrevi-lhe, mas nunca me respondeu sequer. Acho que vou até Macclesfield tentar encontrar-me com ele, aquilo também não é muito grande, sou capaz de o conseguir encontrar por lá…que achas? Disse num tom róseo do copo de vinho que tinha acabado de beber quase de estalo.&lt;br /&gt;- Iá, vai a bares, ele toca por lá, aliás, a última coisa que soube dele foi que recentemente começou mesmo a ter algum sucesso, acho que gravou uma cover qualquer e uma editora boa quer contratá-lo, li na net, num blogue qualquer…respondeu-me num tom já alto e grogue.&lt;br /&gt;- Vou à casa de banho e volto já, repliquei comendo já as palavras, que tinham dificuldade em sair pela garganta algo apertada.&lt;br /&gt;Tentei levantar-me e quase caí para o lado, por entre os risinhos de duas tipas que estavam na mesa do lado, lançando charme puído por um leve travo a sexo, fruto da grande bebedeira que já levava, já tínhamos bebido três garrafas de um vinho francês finório e forte, esvaziadas em menos de duas horas, e lá me arrastei até à casa de banho minúscula e tombada. Quando dei por mim andávamos estrompidamente pelas ruas de Manchester com as duas tipas, pintadíssimas de mau gosto, mas que por esta altura já me pareciam modelos da victoria’s secret, anjos exterminadores de longas asas, que nos tinham reconhecido, crianças na altura em que nos viam embasbacadas em frente à televisão, e se colaram a nós e lá fomos arrastados pela nossa fama patética até um pub extremamente mau, vestido de camisolas assinadas de clubes, manchesters e arsenais, música de megera ao vivo, que já pouco discernia e dançava movido pela força do álcool que me ia embalando, por entre canecas, escorrendo, que não paravam de marchar ruidosamente, pé ante pé, por cima do balcão. Demos por nós a cantar uma merda qualquer, pelos vistos o hino do Manchester City, no meio de uma claque que grunhia estrondosamente,&lt;br /&gt;- Grande noite Fozzie, gritei-lhe enquanto uma das tipas me apalpava o rabo.&lt;br /&gt;- Foda-se, podes crer, disse-me felicíssimo, agarrando barbaramente a irmã, que lhe ia fazendo festinhas na barriga descomunal, enquanto ria desalmadamente e bebia um cocktail vermelho com uma floresta lá dentro que sabia a base. Acabamos num bar chamado Velvet, acho, cheio de paneleiros e putas endomingadamente vestidos de cores garridas e fluorescentes que iluminavam a sala e gritavam estridentemente a testosterona que lhes saltava pelos ouvidos e narizes, e dançámos ora entre passos de dança ridículos que animavam com enlevo a noite, ora agarrados, bem agarrados, à Kim e à Jessie, irmãs de sangue e de engate, ao som de umas músicas antigas de mau gosto dos anos oitenta e noventa, êxtase de uma noite bebida e transpirada, até uma delas me cochichar algo ao ouvido e acabarmos na cama,&lt;br /&gt;- Despe-te toda, menos as meias pretas e os saltos…&lt;br /&gt;Acordei com a cabeça inchadíssima de ressaca com a Kim deitada ao meu lado, semi-nua e com a maquilhagem palmada nos chineses toda esborratada e pensei, - foda-se, que merda, mas não sei porquê, ainda assim, sorri num estrabismo confuso de pós-bebedeira.&lt;br /&gt;Comecei a arrumar as coisas por entre a roupa e restos de preservativos e papel higiénico espalhados pelo chão do quarto da madrugada de bródio, até a gaja acordar,&lt;br /&gt;- Bom dia, sussurrou numa voz terna e rouca.&lt;br /&gt;Arrumei num instante a mochila, e convidei-a para tomar o pequeno-almoço – um litro de coca-cola e uns salgadinhos. Era feia, mas de corpo nem era má, embora se vestisse mal como a merda, com um ar putinha de bordel de beco e a roupa toda engelhada da noite de graça que me facultou. Despedimo-nos com um beijo na boca mal amanhado, e um,&lt;br /&gt;- Até um dia destes, disse-lhe fugidiamente.&lt;br /&gt;- Se apareceres em Manchester telefona-me, disse-me embora pouco convencida de que lhe ligaria alguma outra vez.&lt;br /&gt;Meti-me num táxi até à estação de comboios e apanhei um comboio até Macclesfield. Tinha os olhos pintados de um vermelho sangue, para além da azia que me comia o estômago, ainda vomitei uma vez na casa de banho do comboio, e depois resolvi dormir um pouco, durante o comprido do dia, sob o olhar censor e crítico de uma velha, com uma carapinha cómica e ar sisudo, que não parava de me fitar seriamente, julgando-me e condenando-me no imediato sem sequer me permitir alegar.&lt;br /&gt;Acordei já em Macclesfield a entrar numa pensão, esta um pouco melhor, enquanto pagava duas noites ao tipo da recepção, cem libras, que me recebeu de pés erguidos no balcão, enterrado na cadeira caída para trás, e me atirou as chaves como se de uma bola de basket se tratasse, por entre um,&lt;br /&gt;- Tenha uma boa estadia.&lt;br /&gt;Pousei a mochila e dormi novamente, até à hora de jantar, de barriga para baixo agarrado a uma almofada de um branco lavado e quadrada. Desci e perguntei ao tipo da entrada se conhecia o Sapo Cocas, um músico que vivia ali por Macclesfield e que supostamente andava a tocar em alguns bares,&lt;br /&gt;- O tipo dos Marretas?! Perguntou-me imediatamente.&lt;br /&gt;- Exactamente,&lt;br /&gt;- Sim, sim, o bêbado, afirmou sorrindo. Ele costuma tocar em bares, é verdade, e hoje, se não me engano, vai tocar no Ronnies Bar, que fica perto da Barton Street, lá para as 23h, respondeu-me num tom de algum escárnio.&lt;br /&gt;- Agradeço-lhe imenso, retorqui saindo por entre as portas emperradas do hotel.&lt;br /&gt;Fui até um barzinho com um aspecto singular, onde comi uma óptima tosta que me voltou a alegrar, e segui novamente caminho enquanto pensava sobre qual seria a reacção do Cocas ao ver-me tanto tempo depois, tendo em conta tudo aquilo que lhe fiz. - Foda-se, se ele soubesse o arrependimento que me vai na alma. Se pudesse recuar no tempo e apagar todas as burrices que fiz…, pensei enquanto pisava à vez os quadrados pintados da calçada do passeio. Engraçado como chegamos a determinada altura das nossas vidas e ficamos felizes com pequeníssimas e insignificantes coisas como comer uma tosta melhor do que aquilo a que estamos habituados, frango extra com maionese de alho, muita cebola e tomate e orégãos, é estranho este envelhecer e ainda mais estranho o desaparecer de todos os amigos em troca de um mero baú da memória vazio, carpido pelas lembranças que nos foram criando sem nos avisar da partida. Vagueei ainda cerca de uma hora pelas redondezas até chegar perto do Ronnies, a entrada era manhosa, com umas luzes de néon vermelhas que iam piscando à vez, dignas do melhor alterne, com um porteiro enorme, igualzinho ao Robocop, que me pediu dez libras para entrar, na sua voz metálica, com direito a um whisky. Fui direito ao balcão que nem um tornado, ainda encalhei numa mesa e tombei um cinzeiro transparente cheio de cinza e beatas mal acabadas, beber rapidamente qualquer coisa - estava nervoso com o encontro. Depois do whisky, bebi uma caneca em pouco mais que três goles e dois caucasians, bem fortes, até o concerto começar. O Cocas estava cadavérico de magreza, os olhos continuavam brancos mas ainda mais esbugalhados e grandes e a sua tez era agora de um verde acizentado, apagado, fruto da erosão do tempo, parecia ter uns cinquenta anos e a voz urdia roucamente versos de uma plangência e mágoa intrigantes. Não me viu, estava encostado ao balcão, era talvez o único verdadeiro amigo que tive, pensei enquanto cuspia fumo para cima do cabelo de uma tipa com ar de quenga que irritantemente me tapava a visão. Foi tocando, com o bar apinhado de miúdos em polvorosa para o ver e ouvir, e não é que aquilo era mesmo bom?! Começou a dedilhar uns acordes, numa repetição cadenciada da guitarra, que silenciaram a sala, no eco das suas palavras criando um âmago de imagens febris, estava a tocar uma cover da hurt dos Nine Inch Nails, reconheci, parecia o Johnny Cash, e arrepiei-me. O refrão fez-me lacrimejar, “no que é que me tornei, todos os que conheço vão-se embora no fim”, as lágrimas foram correndo embaraçosamente pela cara enquanto as encobria com a manga da camisa e bebia, emotivamente, mais umas imperiais, tomado por um arrepio colossal que me irrompeu espinha adentro, enquanto o Cocas ia cantando aqueles versos tristíssimos, sentindo-me só como nunca havia sentido até ali. O concerto acabou e todos bateram palmas fulgorosamente, e bati palmas, de pé, por largos minutos…Que concerto enorme, nunca tinha sentido algo assim, tão magnificente. Quando a sala começou a esvaziar mais, aproximei-me, por entre as pitas histéricas aos gritinhos que procuravam à força autógrafos e todas as marcas que lhes fossem concedidas, até que me viu, olhando-me estático. Aproximei-me, e apesar de já toldado, o meu coração pinchava-me o tórax com uma força desmedida rasgando-me quase a camisa,&lt;br /&gt;- Gonzo, tu por aqui, disse-me sem demonstrar qualquer emoção, apesar de notoriamente aturdido.&lt;br /&gt;- É verdade, há quantos anos Cocas. O concerto foi mítico, adorei pá. A sério, disse-lhe numa sinceridade patente.&lt;br /&gt;- Obrigado. Mas diz-me Gonzo, o que queres de mim? Ripostou friamente. - Cocas, gostava de falar contigo, pedir-te desculpa, explicar-me, saber de ti, ainda és o meu melhor amigo, isto é, na verdade não tenho amigos já, não tenho ninguém, tenho vergonha do que te fiz, perdi a única pessoa com quem podia realmente contar, o que me marcou a vida. Anos a pensar nisto, em querer voltar atrás e apagar tudo.&lt;br /&gt;- Hum, já passou muito tempo…A Piggy? Perguntou-me desinteressadamente. - Fugiu com o Animal há três ou quatro anos, respondi-lhe, ao mesmo tempo que me observava com os seus grandes olhos brancos, respondendo-me,&lt;br /&gt;- Na altura entrei em colapso com tudo o que aconteceu, disse que nunca te perdoaria, nem a ti nem à puta, mas éramos miúdos, a fama do programa, de uma forma ou de outra, corrompeu-nos a todos, e sim, todo este tempo depois, apesar de tudo, és o único verdadeiro amigo que tive, respondeu-me num olhar agora aberto,&lt;br /&gt;– A mágoa já lá vai, percebi que não vale a pena, não vale mesmo. Vamos embora daqui. Vamos beber um copo por aí, quero saber tudo Gonzo, e caminhamos e desaparecemos lado a lado, como em tempos, pelas ruas de Macclesfield, sob o som da lua enorme e brilhante, estranhamente não embuçada pelo habitual nevoeiro britânico.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-8142640684914350449?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/8142640684914350449/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/04/o-fim-dos-marretas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/8142640684914350449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/8142640684914350449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/04/o-fim-dos-marretas.html' title='O fim dos marretas'/><author><name>Jorge Oppenheim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600323244312261667</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/-RLnAY-T8-wQ/TZUrlA-P3NI/AAAAAAAABEo/5fJ7IetI6Ck/s220/vader-fail.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-5255998566016543466</id><published>2009-04-02T04:57:00.000-07:00</published><updated>2009-04-06T01:46:58.199-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gRRR'/><title type='text'>O Noivo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Vou engolindo os separadores do traço descontínuo, rectângulos brancos que se escondem no fim do vidro, um pulsar monótono e interminável que no fundo é o meu consolo. Sou motorista vai fazer vinte anos em Setembro. Tudo começou com uma brincadeira, como quase tudo o que de sério tenho na minha vida. Tirei a carta de pesados por brincadeira, para fazer companhia ao meu amigo de altura, depois meu cunhado. Nunca me revi a fazer isto, nunca o meu curso de germânicas o ditaria, mas a brincar passaram-se vinte anos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Transportei coisas que nem sei que existem para pessoas que já nem sei se ainda existem. Levei no semi-reboque, como quem leva no bolso, paletes de águas gaseificadas de importação que vão custar os olhos da cara num restaurante em Linz, sabonetes de luxo para lavar a pele de uma senhora que mora em Köln e que tem um medo enorme de envelhecer, papel que servirá para despedir o motorista do secretário de estado do Chipre, cerveja que irá embebedar a Teresa em Cádis e por isso será mãe, reagentes para análise que vão contar ao Joseph coisas que o vão tirar de Amesterdão e o vão levar para a Bolívia, milhares de portáteis - e um desses vai servir para escrever o prémio Nobel de dois mil e catorze. Eu não sei nada disto é claro, mas como narrador que sou, gozo do direito à omnisciência. É um truque da escrita, que permite-me ver mais do que o que sei. Culpem o escriba.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Conheço noites de auto-estrada intermináveis e tardes de via rápida sem fim. E gosto. Gosto mais do que das manhãs nervosas e apertadas em que todos os outros mortais conquistam o direito ao alcatrão, numa ânsia de chegar ao centro do centro, ao parque comercial da zona industrial, ao nono departamento da oitava secção da primeira divisão, para chegar a horas. Chegar a horas é a construção mais estúpida que a gramática me oferece. Como se eu chegando depois as horas não esperassem por mim. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Estou a conduzir há três horas. Não tenho sono, mas vou parar na estação de serviço – um reflexo aprendido com os anos e que no fundo é mais um ritual que serve para combater a solidão. Café tenho no térmico, comida na lancheira, música no rádio, não quero cola, não fumo, não posso beber e não quero revistas cor-de-rosa, ou porno, ou de palavras cruzadas. Não preciso de porta-chaves do Barcelona, não preciso de batatas fritas, não preciso de dêvêdês do Steven Seagal nem de bolas de praia – até porque o verão ainda não começou nem no calendário nem na praia. Paro para parar, porque devo parar, porque sei que parando cumpro para com algo e isso chega-me.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Peço um café com leite, que bebo mais pelo calor que me dá do que pela cafeína ou pela proteína do leite. E respiro… devagar, não há pressa nenhuma – não posso passar dos noventa à hora, não vale a pena pensar em acelerações, nem em velocidade e a distância… essa é fixa, vai-se reduzindo com o avançar da noite. Adoro as estações de serviço, no sentido intrínseco da palavra. São locais de culto em que me perco como um Álvaro de Campos da camionagem. E isso é bom, faz-me bem. As personagens gastas e psicadélicas que se cruzam comigo neste antro gasolineiro distraem-me como um programa vespertino de televisão. E volto à estrada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Por vezes sinto que a estrada é um fio longo, muito longo, interminável e que o engulo, engulo tão devagar que não há paciência possível. Ligo o rádio, desligo o rádio, ligo o ar condicionado, abro a janela, ligo o rádio, desligo o ar condicionado, vejo o telemóvel, acerto a hora, desacerto a hora, fecho a janela, mudo de estação, vejo o telemóvel, acerto a hora, acerto o banco, agora é o espelho que não está certo, ligo o ar condicionado, paro na estação de serviço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Outras vezes sinto que a estrada é uma fita magnética com uma melodia doce e lenta, que eu toco como se fosse uma cabeça de um leitor de cassetes, e que por mais devagar que fosse nunca a conseguiria ouvir até ao fim. E tudo me sabe bem. O reflexo dos sinais, os padrões do alcatrão, os animais que morrem no alcatrão, os buracos onde falta alcatrão. E a fita vai rolando, marcando um ritmo que eu acompanho com o indicador no volante. E tudo é novo. As placas que já conheço de cor onde têm ferrugem, as curvas apertadas, as curvas longas, as árvores e os sítios onde estavam árvores, as localidades e os seus peões incautos, as autoestradas e o seu modo automático. E esqueço-me de parar. O que é mau, porque como sabem, isto não é um mar de rosas – existem leis. Leis sobre velocidades mínimas, máximas e restantes, sobre quando parar, sobre quanto carregar, sobre o que levar, sobre o que ter… não existem leis sobre boleias, até agora. E por isso às vezes arrisco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;As boleias são como um investimento de risco, uma acção cotada na bolsa, um namoro com uma rapariga com o cabelo roxo, uma droga nova que ninguém sabe como bate, um vinho muito velho em promoção. Arrisco três ou quatro horas de viagem com uma pessoa. Pode ser uma alma iluminada, pode ser um estafermo – não há como saber. E tudo o que se possa dizer de antemão, baseado em factores diversos, computacionados e avaliados em pormenor, ou holisticamente,  não é conclusivo. Porque o aspecto é enganador, porque o sorriso de quem precisa é enganador, porque a postura corporal é enganadora… até eu me engano a mim próprio por aversão à solidão. Mas não se enganem comigo! Eu dou-me bem com a solidão, cultivo uma relação de extrema amizade com ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;E esta noite decidi levar de boleia uma rapariga que tinha o carro empanado na estação de serviço, gritava ao telefone num francês perfeito, cara de desespero mas arrogante, olhos azuis brilhantes e fusilineos, uma boca fina e cara magra de acordo com o corpo, apesar de bem salientado em geral. Perguntei-lhe no meu francês macarrónico se estaria interessada em boleia em direcção a Lyon, mas que teria que ficar na última estação de serviço antes da cidade, já que eu não iria entrar pela urbe adentro. Lá me olhou com desconfiança, eu quarenta e dois, ela trinta e um. Mas aceitou, talvez pela necessidade que tudo empurra e tudo lubrifica, que aguça o engenho, limpa a vergonha e arranja forças nas pernas de um velho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Expliquei-lhe que a viagem demoraria cerca de duas horas, sempre com o limite de velocidade na cabeça, mnemónica de condutor profissional, coisa que já não sai do cérebro, tatuagem invisível. Sorriu e disse-me que isso seria o menor dos males. E lá fomos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Primeiro aquelas coisas normais, ter ou não ter bagagem, pode levar aí mesmo à frente – não faz mal. Depois as cortesias, que pagava a gasolina se fosse necessário. Não consegui evitar de rir, e foi por aí que a conversa começou. As conversas, dizia a minha mãe, são como as cerejas. Eu digo que são como um mapa de uma cidade em construção, de uma rua liga a outra, e a outra, e a outra. Lá lhe expliquei que o camião mexe-se à força de gasóleo, que abastece aos 400 litros de cada vez, que eu lhe ofereci boleia, não foi ela que me pediu, e que seria impossível de fazer qualquer tipo de contas sobre quanto custava o gasóleo dela! E pronto, arrancamos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A curiosidade é algo de natural, é um instinto, é uma força que move as pessoas, os animais, talvez até as coisas.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;E moveu a nossa conversa. Lucien é assistente social, apoia prostitutas toxicodependentes na chamada faixa de risco, ou seja aquela fase em que tudo parece estar perdido. E perdido por cem é perdido por mil, sem preservativo, sem regras, com agulhas, seringas, pratas e limões. Perante essa visão acabei por deixar sair uma banalidade pela boca fora, nunca imaginaria uma rapariga com um aspecto tão frágil a fazer esse combate diário. É uma vantagem, disse-me ela, uma máscara, uma bóia de salvação perante o demónio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Contou-me de como é fácil passar o risco, o tal que todos sabem que existe mas que ninguém vê. A primeira hora de viagem foi a falar dessas pessoas, das que estão junto do risco, umas por opção, outras pela força da correnteza do rio da vida. Todos dizem que a vida é um caminho, que escolhemos a estrada que queremos seguir. Mas eu que conduzo em todas as estradas, que escolho entre todos os caminhos, digo que não. A vida é um rio. Um rio de corrente forte e indomável, onde a força dos remos resolve pouco, muito pouco. Não caminhamos, somos arrastados. Uns melhor, outros pior.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A segunda hora foi rir. Rir muito. Das peripécias dela com os proscritos pelo mundo normal. Do meu mau francês e do péssimo inglês dela, do meu curso de germânicas e porque nunca acabei por o usar, enfiado numa escola a ensinar palavras estranhas a adolescentes borbulhentos. E lá acabei por lhe dizer essa parte estranha, mas doce da minha vida. Como por brincadeira tirei a carta de pesados, como fazia companhia ao meu amigo, mais pelo interesse na irmã dele. Como ele acabou por se casar com a minha irmã e como eu acabei por me separar da irmã dele. E rimos da dor. Da dor de Lucien nunca conseguir realmente resolver algo em definitivo na vida das putas e dos drogados, de como eu pareço nunca chegar a lado nenhum apesar de passar os dias a viajar, do facto de nenhum dos muitos namorados de Lucien compreender a dedicação dela a pessoas que não lhe agradecem na maior parte das vezes, do meu problema de ausência permanente, e rimos de estarmos a rir. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Confesso que fiquei triste quando chegamos ao ponto B da recta que unia o carro empanado da Lucien e a estação de serviço do quilómetro duzentos e oitenta e três da auto via A quatro cinco zero. Confesso que fiquei arrependido de não lhe ter pedido o contacto, convidado para um café, para um vinho, para uma noite. Mas de arrependimento está o inferno cheio e lá segui para Paris – tenho que chegar, entregar este contentor cheio de pólos quase de marca a uns chineses duvidosos que depois de coserem muito bem cosidos uns lagartos retorcidos no peito, os vendem, todos contentes, por tuta e meia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;De manhã tomo um banho no quarto da pensão e visto a segunda muda de roupa que sempre trago na mochila. Lá por ser nómada não tenho que ser porco! Como um pequeno almoço que faz jus ao adjectivo que acompanha o almoço e sigo de volta para Badajoz. Lá me espera o armazém, a carga de mais qualquer destino que ainda não sei. E prefiro assim. Alimento uma curiosidade, que se completa no momento da revelação, como um sexo entre coisas esteréis.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Na volta não resisto a passar por Lyon, uma desculpa qualquer que me falha agora, mas julgo que foram pneus… como se não houvessem pneus em Espanha!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Mas não encontrei de volta o acaso. E então conformado regressei. Devorei os quilómetros com uma raiva miúda de quem queria mais arroz doce mas sabe que não pode.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Passados cinco anos encontrei Lucien em Sevilha, eu estava de férias e ela também. Disse-lhe que estava farto de viver sozinho, ela também.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Não nos casamos, mas vivemos juntos em Lyon. Eu agora dou aulas de inglês a franceses seniores. A correnteza do rio levou-me.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-5255998566016543466?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/5255998566016543466/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/04/o-noivo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/5255998566016543466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/5255998566016543466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/04/o-noivo.html' title='O Noivo'/><author><name>gRRR</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11859441773831403278</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_cx0CPa8AC1k/TEC5-5JJApI/AAAAAAAAAGs/ZNAwZIDmo5c/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-8965154809966622157</id><published>2009-03-19T04:31:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T02:11:03.743-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gRRR'/><title type='text'>A caixa.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A caixa estava fechada. Fechada e selada. Em cima da mesa oval, longa e brilhante de verniz velho, jazia a caixa. Jazia o dono da caixa algures nos Prazeres, enterrado no sábado pela irmã, alguma chuva e o padre. Isto porque o coveiro teve que atender uma chamada e só voltou já quase meia hora depois para ajudar o pessoal da funerária na descida do caixão, já sem a companhia do assistente do divino.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Como se do caixão saísse, a voz trémula, profunda, gasta por quilómetros de tabaco, era agora repetida pelo procurador, também ele já longe da flor da juventude, um advogado que acompanhou o senhor Samuel desde o início dos tempos. E mesmo estando escrito, como todos depois leram, mesmo dito pelo procurador, como todos ouviram, era difícil de encaixar o veredicto do senhor Samuel.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Neste início ninguém se opôs ao trato imposto pelas quatro folhas manuscritas autenticadas no cartório de Loulé. Uns porque não queriam abdicar da pequena fortuna que isso implicava, outros porque achavam nisso uma brincadeira de tão mau gosto que até se riam. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A caixa tinha que cumprir um ritual algo absurdo, um pouco patético até. Teria que estar quinze dias com cada um dos legatários, em lugar visível e disponível a qualquer hora do dia ao procurador para aferir que esta nunca era aberta por ninguém. A sequência de rotação começava nos irmãos, do mais velho para o mais novo, passava para os sobrinhos e regressava. Um ciclo algo conturbado do ponto de vista geográfico, mas recompensador - por cada ano que se conseguisse dividir esta tarefa, os herdeiros recebiam um quinto da herança. Qualquer cabecinha percebia que bastavam cinco anos para receber tudo. E o tudo não era pouco. O senhor Samuel tinha um vício raro – enriquecer. Enriquecer era o motivo para continuar até que a saúde o permitisse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A caixa era em pau-preto. Tinha dois selos, parecidos aos dos contadores de electricidade mas com muito mais pompa. Um era vermelho o outro roxo. Um cubo com vinte e dois centímetros de aresta. Relevos sobre caça com figuras gregas sem vestes na tampa que não apresentava dobradiças, porque estas eram interiores. No limite da tampa, junto à aresta que recebia os selos uma gravação minúscula: a César o que é de César.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A primeira semana foi mesmo muito conturbada. Os irmãos viviam numa área equivalente a um círculo com um diâmetro de 300 quilómetros. Quando tocava aos sobrinhos o diâmetro dobrava. Muitos telefonemas, muitas discussões antigas a virem ao de cima, algumas mágoas minúsculas mas tal como o fermento, pouca coisa que faz crescer muita. Quem leva o quê a quem, quando leva o quê de onde para onde e o que deve ser feito quando não dá para fazer o que devia ser feito. Mas lá se encaixou tudo, o móbil era óbvio para todos, mas ainda assim esses todos esforçavam-se por fazê-lo com um sorriso de vitória, como se a sua parte fosse o de menos importância. Não havia necessidade de ficar mal na figura e entretanto os mais ajuizados apressaram-se a celebrar cláusulas entre si de modo que aquele que violasse o testamento indemnizasse os cumpridores. O móbil crescia, mas era sempre o mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A irmã foi a primeira a receber a caixa. Ficou visível aos olhos de quem a quisesse ver, em cima da televisão da sala. Uma televisão quase tão morta como o seu irmão. E diga-se quase porque ao domingo fazia de rádio e passava a missa do quarto canal. Mas nesta quinzena foi diferente. A televisão foi limpa, ligada e tinha uma espectadora diária. Ou pelo menos assim parecia, porque o que realmente estava a ser contemplado era a caixa. Era magnética, no seu negrume, as figuras gregas, os selos – tudo puxava os olhos para ela. E no entanto quem em casa entrasse jamais iria prestar atenção àquele cubo ridículo em cima de uma televisão velha, ainda a preto e branco vejam só! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A primeira semana passou-se relativamente bem, sem grande agitação. Mas à medida que chegava o dia da passagem de testemunho crescia um sentimento estranho, incómodo dentro da Menina Gertrudes. Aquele sentimento de dependência que sempre o irmão lhe causara, de impotência perante os argumentos dele. Aquele servilismo voluntário que sempre acabava por marcar o ritmo entre eles. No fundo uma inveja profunda. E talvez por isso no dia da troca, face às dificuldades do irmão José de receber a caixa, Gertrudes não se fez rogada, bem pelo contrário. “A caixa fica, não tem problema, quando puderes, eu compreendo.” &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A caixa lá seguiu para a casa do José. O José era daqueles cinquentas todos modernaços, namoradas para a esquerda, namorados para a direita. Levava a vida que queria, como queria, com quem queria. Mas no fundo nunca estava em paz – o normal. A caixa foi largada com todo o desprezo do mundo em cima do aparador da entrada. Com o mesmo desprezo com que sempre lidou com o irmão. O irmão não passava de um midas, arrogante e antiquado movido apenas pela sede de mais, completamente incompatível com os anseios e necessidades de José. José queria falar sobre bons vinhos, Samuel queria comprar vinho barato. José queria conhecer raparigas, Samuel queria encontrar uma dona de casa. José queria viajar para conhecer o mundo, Samuel queria viajar para fazer negócios pelo mundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Ao quinto dia José tropeçou com o olhar na caixa. Aproximou-se e leu a inscrição. “O meu irmão sempre foi um bocadinho estúpido, sem dúvida. Nem ele sabe quem foi César… Aqui está esta merda, a rodar de casa em casa… para quê? Até depois de morto tem que mostrar que manda… Foda-se! Não há paciência.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;E bem que lhe apeteceu quebrar os selos, tomá-los da ira que ainda guardava pelo seu irmão mesquinho, ordinário, vulgar e no entanto sempre moralista, sempre com a sua opiniãozinha sobre tudo o que se passava na sua vida. Mas lá se controlou e manteve a caixa intacta. E acabou, nos dias que restaram, a olhar para ela com um misto de curiosidade e raiva… sempre mantendo a distância que sempre mantivera do irmão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A caixa seguiu para o sobrinho mais velho. O filho único de Gertrudes, ainda que toda a gente lhe chamasse de Menina Gertrudes, era um fulano pacato, pouco ambicioso, pouco tudo em geral. Menos no peso. Sérgio era redondo visto de cima e oval visto de frente… um porta-aviões humano, sempre pronto a engolir mais um hambúrguer, a beber mais um batido, a sorver mais uma cola e a dormir… dormir… dormir &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Talvez por isso durante a primeira semana a caixa passou despercebida, algures no meio do que poderia ser tanto um quarto, como as traseiras de uma pizaria. No entanto num dia de pouco que fazer lá se fixou na caixa. Só lhe ocorriam aquelas caixas de bombons do Natal… Talvez por causa do colorido dos selos, talvez pelo preto da madeira africana – o que interessa é que só de ver a caixa cheirava-lhe a chocolate. E nada lhe tirava da ideia que era isso que lá dentro morava. Como um íman de chocolate que chamava com um assobio fino e lento. Afinal o tio nunca comera chocolates na vida, se calhar guardara naquela caixa algo que não era para ele, mas sim para quem gostasse. “Mas porque iria alguém guardar chocolates numa caixa e submeter as pessoas a este ritual estranho? E porque não?” Ainda que até ao próprio Sérgio todo este desfiar de especulações parecesse de todo ridículo, o certo é que elas foram ganhando espaço, cravando raízes, crescendo pelas paredes do pensamento até que o que a qualquer um parecia do mais descabido, afinal não seria assim tanto, afinal era bem possível e se calhar era o mais certo. Era a única explicação. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;E os últimos dias foram passados a conjecturar sobre a possibilidade do conteúdo da caixa, alimentado um rol de possibilidades infinitas, alimentares, monetárias, místicas de tal modo que quando entregou a caixa à prima, teve que o ser quase à força.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;“Ó Sérgio, assim ‘tá difícil! Dá-me lá isso que ainda tenho que ir à biblioteca! Vá despacha-te. O meu pai vai-se passar se lhe contar esta cena.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Inês era filha de José e de uma das suas diversas mulheres. Josefina acabou por traí-lo com o seu próprio namorado, um amigo colorido lá do serviço. No dia em que José apanhou Josefina com o Miguel na cama livrou-se de três responsabilidades: mulher infiel, namorado clandestino e filha vampira. Um golpe de sorte, sem dúvida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Inês era uma mocinha espampanante, plástica, toda ela aipode, toda ela aifaive, sem tempo para conversar, com pressa de chegar não se sabe bem onde e movida pela vaidade pequena de se ver bem vista. Mas não era rapariga para perder tempo em ilações sobre caixas e sei lá mais o quê. “É preciso guardar este trambolho quinze dias, né? A malta depois recebe uns cobres, né? Então passa p’ra cá isso rapidinho que ainda tenho que pôr umas cábulas no telemóvel pró exame de Sociologia, senão ainda não é este ano que termino a Faculdade.” E seguiu. Caixa no automóvel, banco de trás atulhado de sacos de zaras e mangos e sei lá mais quê, e a caixa. Sempre silenciosa, sempre pesada, sempre magnética.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Já à noite, em conversa com as amigas, referiu-se à caixa como um talismã oriental que lhe tinha comprado o Rodrigo – um super namorado, com um super carrão e uma super vida. A mentira até se percebe, não ficaria nada bem manter uma caixa com ela por 15 dias por uns trocos… &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A conversa evoluiu da mentira pequena e inocente para todo um esquema em que Rodrigo foi obrigado a acompanhar como um cúmplice, toda uma história infindável cada vez mais rica em pormenores. A caixa comprada na Índia, um talismã benzido por um xamã qualquer, o valor exorbitante da caixa. E no final sempre exibida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;No dia de fechar o círculo a caixa foi devolvida com relutância – afinal, o talismã exercia sobre ela até uma boa vibração, e era chato aparecer sem a ajuda divina dentro do carro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;E a partir daqui o ciclo foi-se mantendo. De cada vez que trocava de tutor o sentimento de apego aumentava, fechando o circulo, apertando as vontades, aumentando a necessidade de ter a caixa, de odiar a caixa, de venerar a caixa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;E ainda assim a caixa manteve-se fechada, tal como o testamento assim o exigia. E quinzena a quinzena o chamamento inicial passou do quinto da herança cobiçada para algo novo e movediço. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Gertrudes necessitava da caixa, dominar os seus medos. José queria partir a caixa, libertar-se da raiva. Sérgio ambicionava o conteúdo, doce ou amargo, ilusório ou real, a guloseima ideal. Inês precisava da caixa, exibi-la, rechear o seu status com ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;À quarta ronda juntaram-se os quatro por um acaso não ocasional. De um modo ou de outro acabou por se juntar a necessidade e o engenho e lá se reuniram com o procurador. Rápido se percebeu que estavam todos de acordo no desacordo, que é o que acontece quando se quer dividir em partes inteiras o que é uno. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;“Meus senhores, o testamento é claro. Não podem abrir a caixa e não podem apartar-se ou apropriar-se dela, é sempre uma responsabilidade, nunca uma propriedade. Não há nada nas entrelinhas e ainda assim não sei se estão a cumprir o testamento, porque manifestamente vejo-vos aqui aos quatro!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Como assim? A pergunta rachou o ar e instalou uma electricidade na sala. Após estes meses de rotações e de ambição, o que falhou? Alguma regra não enunciada? O que queria este palhaço moribundo dizer com isto?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Ao que parece uma das regras era que não podia haver reunião de herdeiros nomeados para discussão alguma relacionada com a caixa ou o seu eventual conteúdo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Os ânimos alteraram-se. As vozes cresceram, treparam as paredes e fugiram com o som pelas arestas da sala, vincadas e inflexíveis. E no meio da troca de argumentos, a caixa chamou pelos seus tutores e estes jogaram-se a ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A alma da coisa passou de verbal a física. E no meio do contacto entre corpos a caixa caiu e quebrou os selos. A tampa separou-se e o interior da caixa expôs-se aos olhos alterados dos quatro animais que entre si trocavam empurrões e puxões. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A caixa estava vazia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Ou pelo menos assim parecia. O procurador ajeitou os óculos, acertou o cabelo, compôs o fato.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;“Eu sabia que era isto que ia acontecer, eu sabia! e o Samuel também, só que tinha a tola esperança que não… bom. Mas a caixa não está vazia. Gertrudes apanhe a tampa por favor…”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Gertrudes vergou-se e apanhou a tampa com alguma vergonha. Nas costas da tampa uma fotografia estava colada com fita adesiva. Uma fotografia velha e amarelada, cantos coçados e película estalada. Três crianças, mal vestidas, todas em escadinha junto a um cão quase do tamanho deles. Uma menina e dois meninos. Três sorrisos luminosos, tão luminosos que nem a idade da fotografia, a pobreza do suporte e os farrapos dos modelos conseguiam encobrir a luz deles. O cão rematava com um ar pacato, quase Velásqueziano, não fosse estar acordado.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;As mãos nodosas, secas, muito nervosas viraram a foto… “ Eu e os meus irmãos muito felizes juntos” A letra infantil denunciava o escriba. Samuel sempre tinha tido uma letra muito pouco apresentável, mesmo depois de todos os estudos que fez. E denunciava um amor que a sua avareza sempre tinha escondido, porque havia algo no meio que sempre os dividira, até depois da morte. Mas a César o que é de César.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;A fortuna foi então entregue, segundo cláusula testamental, a um indivíduo que geria uma empresa associada a uma organização não governamental de micro crédito especializado em empresas de cariz familiar e de apoio à família.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-8965154809966622157?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/8965154809966622157/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/03/caixa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/8965154809966622157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/8965154809966622157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/03/caixa.html' title='A caixa.'/><author><name>gRRR</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11859441773831403278</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_cx0CPa8AC1k/TEC5-5JJApI/AAAAAAAAAGs/ZNAwZIDmo5c/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-2058223846695248511</id><published>2009-03-13T11:02:00.001-07:00</published><updated>2009-03-19T05:38:39.839-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='motor'/><title type='text'>O traficantezinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Paulo?! Estás ai?! Balbuciou descendo e subindo a mão aberta, embora com os dedos unidos, em frente à minha cara. Estava noutro mundo, viajava de olhos abertos. Este caso, apesar de aparentemente simples, abalou com as minhas convicções sobre a culpa. Agora consigo ver o quão volátil pode ser a culpa e a moral, será que a lei deve mesmo ser completamente amoral? Como conseguiria eu julgar o que quer que fosse depois disto?!&lt;br /&gt;- Foda-se, está a dar Broken Social Scene, pede aí mais uma preta, disse-lhe.&lt;br /&gt;– É por isso que curto este bar pá…&lt;br /&gt;- Acredita, e está sempre carregado de gajas, respondeu-me com um inocente ar baboso e de olhos brilhantes agarrados ao rabo de uma tipa que falava com o namorado sobre uma exposição qualquer que não interessava ao diabo. Agarrei na cerveja atirando-a nervosamente à goela e fechei os olhos por segundos.&lt;br /&gt;– Pedro, já viste o caso fodido que apanhei? Não consigo pensar noutra coisa.&lt;br /&gt;- Qual? O do traficantezinho?&lt;br /&gt;- Iá, que cena a história de vida do gajo…&lt;br /&gt;A noite passou-se rapidamente até porque não estava com cabeça para a confusão etílica do Bairro Alto e em pouco tempo estava no sofá individual da sala sentado de braços cruzados, a fumar um cigarro e a pensar novamente no caso. O tipo devia ter cerca de quarenta e cinco anos, tinha um aspecto estranho, abacorado, um bigode curto e triste e tinha umas feições genericamente amarguradas. De acordo com um relatório médico que se encontrava apensado ao processo, tinha o corpo tomado por dezenas, talvez centenas, de pequenos tumores afiados que lhe corrompiam o corpo e a alma. Provavelmente não viveria muito mais. As linhas largas das suas olheiras entoavam baladas trágicas de uma melancolia arrepiante, parecia já ter caído no abismo por várias vezes. Quando abriu a redonda boca para falar pela primeira vez em juízo, de pé, atrofiado pelo medo e pela responsabilidade, tiniu tetricamente algumas palavras que tive dificuldade em ouvir no imediato,&lt;br /&gt;- Senhor juiz, eu vendia o produto sim senhor, mas aquilo dava apenas para poder comprar para mim próprio, acalmava-me as dores. A minha vida é uma miséria, ainda por cima agora com a minha filha a estudar…&lt;br /&gt;- E que tipo de drogas vendia?&lt;br /&gt;- Ó senhor juiz, vendia apenas haxixe e erva aos miúdos.&lt;br /&gt;- Ai sim?! Mas diga-me lá então, a que miúdos vendia? Perguntei-lhe animosamente.&lt;br /&gt;- Os que me apareciam lá eu vendia-lhes, eles diziam que eu vendia barato e que era um cota fixe. Quer dizer, vendia a toda a gente, não dizia que não a ninguém que lá fosse comprar e havia gente de todas as idades e classes, não faz ideia, respondeu mastigando em seco.&lt;br /&gt;Mas eu fazia ideia. Respondia-me com verdade a tudo o que lhe perguntava, conforme corroboravam os seus olhos largos e cansados. Quase como se não houvesse culpa, quase como se não estivesse a fazer nada de mal. Apesar de saber que se tratava de uma actividade ilícita, de certa forma, não possuía uma verdadeira consciência da ilicitude dos actos que perpetrava havia anos.&lt;br /&gt;O dia finou-se rapidamente. Estava de novo sozinho em casa e o raio do homem não me saía da cabeça. Ainda pensei em telefonar à Maria, o esquema que na altura me entretinha os tomates, mas nem para me masturbar tinha vontade. Estendi-me em cima da carpete da sala, castanha e de uma rugosidade excessiva, amontoada de pó, a Svetlana já não aparecia há umas semanas não sei porquê, e fumei um marlboro, enquanto partia e trincava línguas de gato que a minha mãe tinha comprado, agora caídas e espalhadas ao meu lado, e pensava no pecado que cunhava o traficante, com os olhos vazios a boiarem pelo tecto, tentando interpretar o puzzle criado por uma aranha enorme e anoréctica que cavalgava pelo branco enferrujado de uma mancha oblonga. Havia discos espalhados pela zona perto da aparelhagem, conseguia ver a banana &lt;em&gt;warholiana&lt;/em&gt; do álbum dos Velvet Underground e mais dois ou três discos de blues de uns americanos quaisquer, mineiros acho, que tinha andado a ouvir nos últimos dias. O gira-discos que tinha comprado na feira da ladra uns meses antes continuava a trabalhar, contra todas as expectativas, e ia tocando um antigo disco de jazz, furtado ao meu tio de Alvalade, Coltrane, que me ajudava a meditar e acalmava-me. Este caso lembrou-me os bons tempos de festivais de verão, Sudoeste e Paredes de Coura, agora extintos pelo respeito à ancestral deontologia da moral jurídica, onde todos fumavam tudo o que houvesse, de erva a eucalipto, passando por coca até mesmo tendas, bebiam até os olhos cerrarem de bebedeira e as pernas tremelicarem com o peso da cevada que carregavam na pança, lanchavam bolos ou iogurtes de ganza comprados a chungas moribundos que por lá andavam, em trabalho, espojados pela terraria ou mesmo preparados em família nas tendinhas dispostas erraticamente por entre eucaliptos e calhaus, entre dezenas de outros produtos alucinogénicos que estimulavam a festa e tornavam os concertos de merda em espectáculos de uma vida. Eu próprio fumei droga que se calhar foi vendida por este tipo. As boas lembranças de verões de loucura e morte cerebral, encadilhadas com todas as interrogações que este caso me provocava, foram-me embalando até acordar por volta das 5h30 deitado ainda na carpete ruça já, que tinha vindo da casa dos meus pais, e me aquecia por entre os nacos de pó e ninhos de ácaros que por lá habitavam. Fui dormir.&lt;br /&gt;Acordei sobressaltado,&lt;br /&gt;- Foda-se, já são 8h30, levantei-me e vesti-me rapidamente e saí a correr sem sequer beber café, nem comer a habitual sandes de fiambre do talho da Helena perneta, salgadinha com manteiga mimosa, com que me deliciava todas as manhãs. Já estava atrasado para a audiência final do julgamento do traficantezinho e, ainda por cima, apanhei um trânsito fodidamente entravado, o que mexeu ainda mais com o meu humor matinal de trabalhador do serviço de finanças.&lt;br /&gt;A sala estava apinhada de gentalha com os nervos a crepitar à flor da pele, tudo sentado à espera do meritíssimo, eu, ainda ontem uma criança a enfrascar-me que nem um alarve na Universidade, venerado na maioria das tascas e bares lisboetas e coimbrãs, hoje um respeitado e promissor jovem juiz, &lt;em&gt;judge dread&lt;/em&gt; para os amigos mais próximos, que fazia a acostumada justiça pelos juízos criminais de Lisboa. Entrei na sala e todos se levantaram, de um salto sonoro, das cadeiras por reverência à minha negrinha imagem, vestida de beca, que eu próprio satirizo com um,&lt;br /&gt;- Podem-se sentar, por favor.&lt;br /&gt;- A audiência final, relativa ao Processo n.º 313/2008, vai prosseguir, entoei reverencialmente.&lt;br /&gt;A multidão que invadiu o tribunal, deixando a sala a transbordar de povinho, que não sabia sequer o que ali fazia - será que o caso passou na TVI e eu não me apercebi, pensei -, ainda vociferou uns “assassino” e “queres matar-nos as crianças, bandido”,&lt;br /&gt;- Ordem no Tribunal, resmungou alto a madeira do martelo que bateu várias vezes até que a desordem acalmasse e se calasse. A sala ficou à pinha, como poucas vezes tinha visto em dois anos de juízos criminais, tornando-se num espectáculo &lt;em&gt;hollywoodesco&lt;/em&gt;, o que me aumentou a nervoseira que já dificilmente conseguia disfarçar e que fui tentando dramaturgicamente dissimular.&lt;br /&gt;E assim foi, o julgamento continuou, devorando tempo, por entre as vazias alegações num português de cachupa do Procurador do Ministério Público, um tipo preto e vão, e as dissertações sobre a moral de um advogado de acusação atarracado e de sorriso sarcástico, que vestia um minúsculo fato italiano da colecção passada e uivava com as suas mãozinhas de pardal em riste como se a razão e a moral em si residissem, movimentos que os meus olhos foram aquilatando lentamente. Na hora de decidir, apesar de não possuir quaisquer dúvidas sobre a subsunção dos actos do traficantezeco ao crime de tráfico de estupefacientes, que o meu código riscado e amarelejado, por entre as milhentas glosas que as noites e noites perdidas de estudo, me confirmava, numa antinomia quase visceral, perdia todas as certezas, porque moralmente, e mesmo em termos abstractos considerando o caso concreto do homem, a minha razão, bem lá no fundo, dizia-me outra coisa. Fiquei confusamente afectado e sem saber muito bem o que fazer.&lt;br /&gt;- Diga-me, como se apresenta perante este Tribunal?&lt;br /&gt;- Culpado, senhor juiz, respondeu-me envergonhado.&lt;br /&gt;- Tem alguma coisa a acrescentar em sua defesa?&lt;br /&gt;- Senhor juiz, eu queria novamente pedir desculpa e dizer que estou arrependido, mas nem sequer ganhava dinheiro com isto, ganhava apenas o suficiente para pagar as contas e para comprar para consumir, era a única coisa que ainda me ia acalmando as dores e os tumores que me comem a carne, aos poucos, todos os dias, e olhe que tomei dezenas e dezenas de medicamentos e tratamentos que os médicos me foram prescrevendo, embora nenhum deles me aliviasse o sofrimento, ainda pensei em atirar-me da 25 de Abril...&lt;br /&gt;- Eu sei que isto não é vida senhor juiz, mas também não ando por aí a matar ninguém ou a roubar e o senhor juiz até me deve perceber, na sua juventude também deve ter fumado uns charutinhos e, no entanto, está aqui, e bem, enquanto digno representante da justiça e do país.&lt;br /&gt;- Ordem no tribunal, o martelo voltou a cascar na mesa raivosamente,&lt;br /&gt;- Mas o senhor está a insinuar que eu também consumo droga, para se tentar justificar?! No interior, a confusão tomava-me – sim, fumei e não foi pouco e, de vez em quando, quando em festa, ainda atiro umas golfadas de fumo folgazão para a garganta e travo em troca da calmaria que me consome de seguida. Até espampanantes e coloridas aves pré-históricas, há muito extintas, eu vi, e irmãos há muito perdidos encontrei, e codornizes gigantes e fugidias, que comigo gozavam, persegui por bairros anónimos…&lt;br /&gt;- Ainda que isso fosse verdade, que não é, não lhe parece essa uma má desculpa para prosseguir uma actividade que é proibida e punida legalmente como bem sabe? Perguntei-lhe altivamente impelido pelos esticados braços que se encavalitavam na mesa que nos separava, embora, por dentro, estivesse pouco ou nada convicto daquilo que asseverava.&lt;br /&gt;O homem semicerrou os olhos e fitou o chão obliquamente como que assentindo aquilo que a moralista justiça lhe tinha acabado de questionar. O meu hemisfério direito, e o esquerdo também, não parava de demandar sobre até onde deverá ir a mão estadual penalizadora na protecção da nossa vida e saúde? Onde reside então a liberdade individual de cada um? Foda-se, mas será que isto faz algum sentido?&lt;br /&gt;A sessão acabou e o homem foi levado em braços até à sua cela por dois polícias com um ar aparvalhado, um gordo, baixo e rosado e um alto, de cara suja e voz intermitente, ambos de grave sorriso na cara pela justiça e lei cumpridas e pelo honorífico serviço que estavam a prestar à sociedade, por entre o cagaçal que a multidão que me havia invadido o Tribunal ia fazendo, que o despejaram na solidão da treva de um pequeno cubículo escuro e sebento, apartador dos males da vida.&lt;br /&gt;A sentença foi lida uns tempos depois, oito anos de prisão que afastaram o pobre coitado da luz do dia, ameaça da sociedade, das ruas e das famílias, pelo crime de tráfico de drogas leves. Eu, pouco tempo depois, em Setembro, causticado com o maniqueísmo que conheci na lei, e depois de perder a Certeza, concorri para os tribunais administrativos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-2058223846695248511?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/2058223846695248511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/03/o-traficantezinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/2058223846695248511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/2058223846695248511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/03/o-traficantezinho.html' title='O traficantezinho'/><author><name>Jorge Oppenheim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600323244312261667</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/-RLnAY-T8-wQ/TZUrlA-P3NI/AAAAAAAABEo/5fJ7IetI6Ck/s220/vader-fail.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-8002044782411619428</id><published>2009-03-05T03:30:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T03:35:09.704-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gRRR'/><title type='text'>Eu daqui vejo tudo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu daqui vejo tudo. Os que entram, os que saem, os que se esquecem do carrinho, os que têm que ir ao multibanco. Eu vejo as famílias, os solteiros, os separados - cada um com o seu cesto a comprar coisas repetidas. Vejo os putos que vão comprar cerveja, os ucras que vão comprar muita cerveja, as trintonas que vão comprar cremes e as quarentonas que vão comprar muitos cremes. Sou omnisciente. Sou omnipresente. Sou o fim de um processo que começa fora daqui, em casa, num anúncio, numa lista pendurada no frigorifico, num telefonema à ultima da hora ou num pensamento prolongado com o olhar fixo numa esquina da despensa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu conheço quase tudo. O código do garrafão de 5 litros é diferente quando vem num pack, a fruta que tem que ser pesada, mangas, pêra abacate, pêra rocha, maçã starking, maçã raineta, maçã pink rose, pêro, uva globe, uva branca, uva cardinal, tremoço nacional, banana da madeira, banana que não vem da madeira, todo o tipo de citrinos, ananás e abacaxi, abacate, já disse manga? As promoções, os vales de desconto, os códigos errados, e claro, um ou outro produto que não tem código porque a malta do escritório não sei quê mas vai ficar amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu lembro-me de tudo. E é por isso que isto me custa tanto. E é por isso que não preciso de televisão. E é por isso que tenho que desabafar com alguém… porque se não o fizer não sei se alguma vez poderei ter o privilégio de esquecer. Eu lembro-me do preço do sabonete Vitalux  há dois anos, 58 cêntimos. E os preservativos Qualitat estavam a 7,32 a caixa mas agora apesar de mais caros fazem uma promoção gira que oferece um colorido. Eu não precisava de decorar estas merdas… bastava passar o código e ouvir o bip. Mas a puta da curiosidade sempre me levou a melhor. Então eu decoro tudo… sou um preçário vivo. Mas ainda assim um preçário obsoleto e disfuncional, porque eu não posso introduzir um único preço! Tem que fazer bip. Bip. Bip. Mas se fosse só isto eu não me preocuparia. Afinal, mais preço menos preço, não seria uma fiada de números que me tirariam a tesão. Eu lembro-me dos que entraram, quando entraram, a cara que levavam, a roupa que carregavam, os que saiam, as compras que pagaram. E sei mais… sei pormenores da vida deles. Muitos pormenores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Srª Maria Dolores Graça Nascimento Pinto, faz compras sempre à sexta à noite. Compra sempre um avio que é obviamente semanal e leva uma eternidade a encontrar o cartão de débito. Leva sempre uma ou duas garrafas de vinho tinto, geralmente da promoção mais em conta, como a da semana passada, Mosteiro Velho, por 3,20 a garrafa. Nunca vi aquela mulher de calças. Ainda bem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Fernando taxista vem todos os dias pelo meio-dia comprar pão. Aquilo nem é pão, é um sucedâneo de pão. Ele sabe-o e até já o admitiu à minha frente. Tem sempre uma confusão imensa de coisas no bolso, incluindo pequenos pedaços de unha que saem junto com moedas, notas e cartões de prostitutas que ele ajuda na angariação. Desenganem-se se pensam que o pão é para ele. Já percebi que é para a mãe, houve um dia que ouvi a conversa no telemóvel. E lá está a cabra da curiosidade a registar tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Aida que mora no Bairro do Novo Baião não tem um padrão de compras. Nunca percebi ao certo, mas aposto que faz o resto das compras noutro sítio. O que sei é que foi casada, mas como já há um ano que não usa aliança… quem quiser que faça contas! Leva sempre aqueles iogurtes que fazem maravilhas a tudo: barriga, dentes, cabelo. Compra sempre daquelas marcas que são mais caras por motivo nenhum e sem razão aparente acabam por ter uma embalagem mais apelativa, como se subornassem as outras marcas para terem embalagens antiquadas. A rapariga vem sempre à pressa, esbaforida, sem vagar, tensa. Usa muita roupa vermelha, que lhe fica muito mal mas que insiste em mostrar as saliências e protuberâncias do seu corpo roliço e audaz. Nunca vi um par de tetas tão espetadas. Mas nem por isso elas se espantam com o meu olhar guloso, ainda nem bem tem o troco na mão já as mamas apontam para a porta de saída. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não posso omitir a família do Zé Caixa. É uma comédia viva e por episódios. Primeiro vem a matriarca, muito pachorrenta, muito serena, muito feia, um buço de meter respeito ao mais digno chefe de família. Meia hora depois chega o senhor Caixa, sempre com o rego do cú a subir para fora das calças. Acho que faz parte do status de mecânico, é daquelas coisas, mecânico que é mecânico:  calças cagadas e rego do cú a aparecer. Mas não compra nada, nem um palito. Vai só dar instruções à miss universo e regressa para o café, que também vejo daqui, e bebe mais um copo. Não interessa do quê, do que houver, beirão, amarguinha, cati çarque, ó homem ponha isso aí que eu só tenho 50 centimes. Depois, por último e triunfal chega a sogra do Zé. Ao que parece é a única com carta de condução, logo a única pessoa habilitada a levar a mercadoria a casa. Curiosamente, ou não, a única que veste roupa digna desse nome.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estas pessoas são as estrelas principais. Os actores que entram em todos os episódios. Mas eu não esqueço os convidados especiais, os actores secundários, os figurantes, os duplos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um casal de hippies que em pleno Fevereiro apareceu a pedir à Susete do balcão de informações um guarda-sol, mas tinha que ser amarelo. Tinha que ser amarelo porque eles tinham mais ácido no sangue que uma bateria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um espanhol que queria pela graça e força de todos os santos populares pagar a conta em pesetas em pleno 2006.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As putas do Bar Cachalote que vêm à vez comprar uma dúzia de batons e três dúzias de preservativos. E um ou outro pacote de leite e muito esparguete, algum atum e sempre, mas sempre, água com gás… deve ser para o patrão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O senhor agente Santiago que entrou duas vezes na tabacaria para comprar mortalhas de arroz e um isqueiro. Mas toda a gente sabe que ele não fuma, porque nem comprou tabaco. Ou se calhar fuma mas não fuma o que deveria fumar um agente da autoridade e até se calhar por isso é q só entrou duas vezes por lá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os casais de namorados, 14, 15, 16 anos a comprar preservativos, muito convictos do que são e do que querem, mas que nem por isso conseguem disfarçar o riso nervoso. Alguns foram pais este ano. Nunca fiar no látex ou na pressa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E lembro-me da cara de todos os turistas incautos que pagaram o triplo por pilhas AAA do que pagariam na tabacaria, quando deveria ser ao contrário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E não me esqueço dos episódios míticos, dignos de registo nos anais do retalho grossista e não só.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A vez que uma lata de tinta explodiu a meio do Verão. Foi de tal ordem que ainda existem luminárias com tinta verde manso referência C4003.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A vez que o nosso digno e douto gerente se peidou em quase estereofonia, que eu bem ouvi. Valeu-lhe ser nove e meia e o único cliente ser o Senhor Cabral que insiste em comprar peixe diariamente à mesma hora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A vez que a casa de banho entupiu e havia não só o cheiro mas também um ribeiro de coisas que já foram nossas no átrio de entrada.&lt;br /&gt;Mas isso seria mal menor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu não esqueço os trocos que dei, eu não esqueço os talões de desconto que entreguei, eu não esqueço o valor de fecho desde 2004 e não esqueço o nome de uma única pessoa que me pague em cartão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não me consigo lembrar porque isto começou, nem quando me dei conta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E sinto falta dos que não esqueço. Do António carpinteiro que morreu faz dois meses que comprava ginginha, do sô Castro, um viúvo subterrâneo que foi viver para o Algarve, da Antonieta que levou uma pazada de uma camião e agora nem tão cedo volta cá, que comprava sempre quilos de bolacha Maria. Curiosamente nunca mais houve bolo bolacha na cafetaria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E sinto falta dos artigos que já não vendemos. Do lava-tudo com cheiro a maçã, que derramou na zona dos frescos e empestou as condutas do ar condicionado por meses, dos cotonetes bicudos que toda a gente reclamou, das vassouras tradicionais que não tinham código.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E sinto falta dos colegas. Do Chico que depois de ser pai dedicou-se a vender haxe, da Susana que casou com um militar e foi para o Porto, do Miguel que começou a beber para esquecer e esqueceu-se de parar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu não consigo esquecer e tenho medo que venha a piorar. Tenho medo de me vir a lembrar do futuro. E aí eu vou saber que algo aqui dentro da caixa já não soma, nem divide, só multiplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser caixa ainda assim é uma profissão a ter em linha de conta. Ganho 480 euros por mês, um dia de folga por semana, dois uniformes e tenho um circo diário só para mim. Para quê televisão?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-8002044782411619428?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/8002044782411619428/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/03/eu-daqui-vejo-tudo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/8002044782411619428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/8002044782411619428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/03/eu-daqui-vejo-tudo.html' title='Eu daqui vejo tudo.'/><author><name>gRRR</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11859441773831403278</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_cx0CPa8AC1k/TEC5-5JJApI/AAAAAAAAAGs/ZNAwZIDmo5c/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8099925819022722337.post-206370068783813355</id><published>2009-03-04T09:21:00.001-08:00</published><updated>2009-04-15T11:51:14.034-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='motor'/><title type='text'>A decisão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A decisão tinha sido tomada. O sentido havia partido há muito, triste pelo luto eterno que bradava em nome da razão desaparecida desde cedo, por entre uma juventude arisca, fodida, de trabalhos forçados desde os oito anos, botas de retraço, mais duras que a terra nua e a vida, penduradas aos ombros, para ganhar dois tostões e um saco de batatas ao fim do ano, entregues em mão ao senhor-pai.&lt;br /&gt;Agora arrastava-se pela vilazinha esverdeada e lustrosa, perdida lá no alto entre encostas cavadas no inferno, caiada de pequenez, mosto de olhos pequeninos atentos e sedentos de notícias do próximo, de preferência más,&lt;br /&gt;- Então não é que o filho do marceneiro casou com uma mulher da vida, sim uma putéfia qualquer que mandou vir por aquela coisa da internet, directamente do Brasil, ouvi de uma boca velha de corvo, encavalitada na encarquilhada janela da sala, na ânsia de poder contar a notícia à paciente vizinha de que nem gosta muito e que a ouve com medo da sua afiada voz linguaruda, é que todos temos, mais ou menos, esqueletos lá bem no fundo do baú, não é?!&lt;br /&gt;Era uma sombra andante, de corpo opado, passado do prazo, que se ia escondendo em pequenas tascas que o acolhiam guardando fielmente o seu segredo, em troca do esvaziar de mosquitos de aguardente e imperiais sem fim, conhaques amarelecidos pela prateleira onde se encontravam estacionados sem sequer pagar parquímetro, e algum vinho negro alentejano e amargo, provavelmente já podre. A espuma encardida das imperiais lembrava-lhe a vida construída e desconstruída de talvez cinquenta anos, os filhos e netos que criou, a mulher atarracada e chata, impingida pela família, dois ou três amigos, e os movimentos mecânicos que lhe emprestavam o copo à boca duplicavam-se, triplicavam-se. Os seus olhos agora vazios, outrora castanho-negros de um brilhante intenso e vivo, fitavam obliquamente o passado que o havia aterrorizado. Era a sua última noite.&lt;br /&gt;Na mesa ao lado, cagada de cascas de tremoços lascadas pelos falsos dentes das caquécticas placas de dois tipos de meia idade, comentava-se a morte do Mestre Manel,&lt;br /&gt;- Então o Mestre Manel não se matou…meteu dois frascos de 605 forte no bucho a noite passada. O homem tinha tudo, porque raio se havia de matar?! Contou ao outro, que pasmado e de bifana, agarrada pela mão disforme, que lhe enchia a boca e derramava molho por todos lados, nem sequer falou, respondendo apenas com um esbugalhar de olhos, eriçando as farfalhudas e díspares sobrancelhas que lhe escondiam a enorme e gordurosa testa. Viu-se o espanto na sua cara, pálida e prenhe de resolução, não era só ele que tinha tomado a decisão. A sua expressão, pela primeira vez, transparecia agora a dúvida, por entre pequenas gotículas de suor que lhe escorriam pelas salientes e avermelhadas maçãs do rosto,&lt;br /&gt;- Mas será que fui assim tão infeliz? Comentou por entre dentes em sede de monólogo, por entre um cigarro meio partido que alguém tinha abandonado por ali e que o fumou em dois ou três tragos.&lt;br /&gt;Deu por ele estendido na cama a olhar para o tecto coberto de teias e aranhiços excitados que chiavam e saltavam, como que num festim festejando a decisão tomada. Ao seu lado, a sua mulher que ressonava aconchegada pela ignorância, aquecida por uma combinação de renda de mau gosto de tom nácar e amarelo, deixava-o de certa forma triste, é que apesar de tudo, a vida fê-lo amá-la. Encontrava-se estranhamente calmo, que nem as asas compridas de um condor errando pelos céus, e o seu pensamento vagueava pelo espaço sideral de lembranças, embora não pensando em nada em concreto. Adormeceu tranquilamente que nem um bebé recém-nascido aconchegado e saciado pelo leite materno quente e mamas e amor da mãe direito ao grande dia que se encontrava cada vez mais perto.&lt;br /&gt;Era manhã, cantavam os irritantes galos que gritavam há mais de duas horas, desde que o sol se levantou e alumiou a vila e o campo e escondeu o escuro e a treva por umas horas. A sensação era única, o dia final ditado pela decisão havia chegado. O silêncio que o rodeava desde há uns dias tornou-se ainda mais quieto, insuportável e aconchegante, quase como se soubesse do aproximar da sua quase não existência. Encontrava-se calmo apesar do leve tremelicar dos compridos e calejados dedos da mão direita que escondia no bolso rasgado das calças untadas de óleo e sujo e outras nódoas já imperceptíveis pelas infinitas lavagens.&lt;br /&gt;Saiu normalmente de casa e dirigiu-se ao café de sempre, ou pelo menos dos últimos anos, onde sempre bebia um café meio queimado e um medronho, depois de uma sandes de presunto da terra, com apenas uma fatia de presunto e manteiga, como assim dizia a empregada,&lt;br /&gt;- O mesmo de sempre senhor Pedro? Na sua matinal voz sedutora de taberna, que, por entre os sorrisinhos e gritinhos que lhe lançava, constituía quase sempre o ponto alto do seu dia igual a todos e aos próximos. Sentia uma calmaria que lhe saltava do peito apertado pela camisa de um xadrez encolhido, que nem as grades da choça, que a mulher lhe tinha comprado como prenda de aniversário a um cigano encardido que voltava sempre para todos os mercados.&lt;br /&gt;O dia passou-se depressa, por entre a visita a um e outro cliente que interesseiramente lhe pedia mansões mal amanhadas pelo gosto bimbo de serrano para amanhã, a custo de mercado,&lt;br /&gt;- Ó vizinho faça-me lá um preço de amigo que isto anda mal. Não se chateou, respondendo que sim a tudo o que lhe foram perguntando, movido por uma paz de esquecimento, brilhante, que o acompanhou durante o vagaroso andar dos ponteiros do tempo. O ténue sol que se fez anunciar logo pela manhã, foi raptado a meio da tarde por um frio polar e nuvens escuras, de um profundo negro africano, como que anunciando um juízo final específico já decidido, embora ainda anónimo para todos os outros.&lt;br /&gt;Jantou embrenhado no prato cheio de um arroz de feijão mal-amanhado, que ainda assim lhe soube a caviar e vinho francês caro que nunca chegou a beber, porque a vida de pobre é assim mesmo. Bebeu uma garrafa de vinho tinto carrascão, gramujeira, daquele que até a comida cospe quando temperada, e tudo lhe pareceu ainda mais claro. Saiu de casa sem se despedir rumo à primeira tasca que encontrou e, levantando o forte indicador direito que a vida lhe deu,&lt;br /&gt;- Chefe, dê-me uma aguardente das grandes se faz favor, e viu, acompanhado por um bêbado qualquer, desgraçado pela bebida, posto de parte pela família pelo seu “problema”, o glorioso pela última vez, que jogava para a taça com uma equipazalha da terceira divisão e ia ganhando (mal), cumprindo o dever que o peso do emblema lhe impunha. Bebeu outra e outra e outra aguardente em copos baços e mal lavados, até os sentidos e visão lateral encurtarem ao ponto de ter novamente a certeza da decisão que havia tomado.&lt;br /&gt;Não era tarde, despediu-se do seu novo amigo, que mal conseguia falar e mesmo aguentar-se em pé, por um dia de trabalho intenso em várias tascas e cafés e bares para onde a vida o tinha destacado, apoiada pela recente mobilidade laboral, e desapareceu pela calçada do passeio da rua principal, de cabeça inclinada para baixo, revisitando o tempo vivido que o levou até ali. Movia-se a passos pequenos e marcados e ziguezagueando foi andando até chegar ao final da estrada civilizada, metendo-se sem pensar por uma azinhaga de terra batida. Chovia agora, miudamente, e continuava convictamente arrastando as pesadas botas enlameadas, por entre barulhos da noite de insectos cancerosos e mochos gordos de olhos brilhantes e julgadores e estevas afiladas e árvores velhas, cheias de vida, que o tocavam com os esguios ramos perdidos no negro da treva da noite tentando segurá-lo e afastá-lo do seu desiderato, da decisão. Mas, nada o podia parar, a decisão estava tomada há muito tempo e continuou sem parar, marchando sob o duro rufar de tambores de uma ópera macabra qualquer de Mozart, rebolando por vezes rasteirado pela bebedeira que carregava e que pesava juntamente com a roupa encharcada e suja colada ao corpo, refrescante, até chegar à porta da casa que o viu nascer, agora triste e despida, abandonada. Esvaiu-se em lágrimas e caiu de joelhos quase tocando com a cabeça na lama grossa e crescente, que lhe dava as boas vindas.&lt;br /&gt;Num instante reviu toda a vida, desde o momento inicial de que se lembrava e que brincava exactamente no mesmo sítio onde se encontrava agora ajoelhado, procurando um perdão divino que o ilibasse de todos os pecados humanos que cometeu, até ao abandonar do berço que o pariu, o nascer de filhos pensados e não pensados e depois os netos, o sucesso alcançado medido pelo dinheiro que deixava numa conta escondida na Caixa Agrícola e alguns bens feitos com as suas próprias mãos, discussões e bebedeiras, felicidade e amargura, vida e morte. A epifania de uma vida pequenina, vazia e insossa que via agora reflectida na água, fonte da vida, que empunhava nas mãos arrumadas em forma de cocharro e que reluzia intensamente como que anuindo na decisão tomada. Não fazia sentido. As lágrimas continuaram a jorrar copiosamente como a chuva morta que agora caía, embutidas por pequenos e estrondosos trovões que luziam lá no cimo da serra fechada e intransigente.&lt;br /&gt;Entrou em casa, após arrombar a porta feita de um carvalho roto e carunchoso, abandonado, e ficou especado a olhar para o negrume ácido que cobria as quatro paredes que o conheciam, enfeitado por fungos e musgo que por ali se abrigou e criou pequenas criaturas que habitavam ordeiramente o chão que pisava estático. Procurou e encontrou facilmente um velho baraço, que em tempos tinha servido para puxar um jumento cinzento e teimoso e amigo, e lançou-o a um barrote roído por insectos xilófagos insaciáveis. Fez um forte nó, que tinha aprendido nos tempos em que foi obrigado a servir a pátria na tropa e onde formou o carácter que até hoje, até hoje, mostrava, e, puxando um antigo banco que ali havia sido esquecido, ergueu-se, perguntando-se até que ponto seria, verdadeiramente, chorado. No minuto seguinte, atirou-se aconchegado pelo perfeito nó torcido de escuteiro que conseguira fazer no áspero baraço e estrebuchou umas quatro ou cinco vezes até se esvaziar o mais recôndito e forte pedaço de vida que o levantava todos os dias há mais de cinquenta anos, deixando-o inerte, embalado num certo balançar que finalmente lhe trazia paz.&lt;br /&gt;A tempestade que se fazia sentir acalmou imediatamente e o silêncio foi perdendo a velha casa que também se foi perdendo por entre a noite e vegetação densa de castanheiros e amieiros, cada vez mais longe até desaparecer, pequenina, talvez para sempre e aos poucos todos esqueceram e viveram, foram vivendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8099925819022722337-206370068783813355?l=istonaoecaloboantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/feeds/206370068783813355/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/03/decisao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/206370068783813355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8099925819022722337/posts/default/206370068783813355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://istonaoecaloboantunes.blogspot.com/2009/03/decisao.html' title='A decisão'/><author><name>Jorge Oppenheim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01600323244312261667</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/-RLnAY-T8-wQ/TZUrlA-P3NI/AAAAAAAABEo/5fJ7IetI6Ck/s220/vader-fail.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
